quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Se eu pudesse...

Esta semana eu fui absorvido pela desmotivação. Há até um ar apocalíptico nos meus últimos posts. Eu diria que fui tomado por um caos calmo – para pegar emprestada uma expressão que li e gostei.

Tudo isso vai virar poeira amanhã. É que estou cansado, venho levantando às 6h, trabalhando de 7h às 15h sem pausa, num ofício burocrático e nada criativo. Sinto falta de construir, em vez de reproduzir; de contribuir para o mundo com uma coisa minha, só minha.

Amanhã vou em direção a Sevilha com os amigos. Na volta desbravamos o Sul de Portugal. Alugamos um carro para nos aventurarmos pela estrada, rumo a Espanha. É tudo o que me completa nesta vida de, algumas vezes, certo tédio. Poder deixar a mesmice para trás é a busca eterna dentro de mim.

Mas tem uma mesmice que sou capaz viver: a da amizade. Por isso, ando cada vez mais convicto de que meu caminho de volta terá como destino Florianópolis, a Ilha da Magia. É uma espécie de saudosismo, mas também de conforto emocional. Não sei bem, sei apenas que queria juntar a mim mais umas 15 pessoas queridas e tê-las sempre por perto.

Se eu pudesse...

***

Deixo-os com Fernando Pessoa, numa passagem do Livro do Desassossego. Encontrei-a ontem e, conforme tenho me sentido, veio a calhar. Magistral...

Há dias em que sobe em mim, como que da terra alheia à cabeça própria, um tédio, uma mágoa, uma angústia de viver que só me não parece insuportável porque de fato a suporto. E um estrangulamento da vida em mim mesmo, um desejo de ser outra pessoa em todos os poros, uma breve notícia do fim.

Um comentário:

Andréa disse...

Gustavo,
é engraçado como certas situações acontecem conosco em qualquer fase da vida ou lugar do mundo.
Às vésperas de completar 35 anos passei a buscar algo que nem sei o que é.
Só sei que existe, e que sinto e que preciso.
É como naquela canção da Maysa, chamada "O que":

"O que que eu estou procurando
No vago aflita olhando
De canto em canto buscando
O que
De noite a lua assiste
Que eu fico ainda mais triste
E saio pra rua andando
Procurando mas o que
Talvez se um dia eu achasse
O mundo depressa tirasse
E eu não conseguisse nem ver
Mas o que
Que eu estou procurando
No vago aflita olhando
De canto em canto buscando
O que? "

Beijos,
Andréa