sábado, 1 de agosto de 2009

A primeira vez


Eis a recôndita verdade, meus parcos leitores: nos tornamos uns grandes imbecis em terras estrangeiras. Uns bobos de carteirinha, daqueles de achar tudo lindo, tudo diferente, tudo especial. Por exemplo (e não me orgulho disso), hoje foi a primeira vez que vi uma barata.

Saltei-a para não espatifá-la com a sola do meu all-star. Coitada. Barata portuguesa a gente salta, tem pena e poupa da morte. Barata brasileira a gente caça até em canto de parede. E vejam só que disparate, que estupidez bovina, a que ponto cheguei para dar valor a isso.

É mesmo falta de assunto. Mas será? Justo em um dia que dispus-me a assuntar. Pois é um costume meu sair sem rumo, sem planos, sem destino. Coloco uns livros na mochila (o Pessoa sempre está lá), um bloquinho e caneta. Vou ler e escrever.

Como o clima hoje estava traiçoeiro, titubeante, fui a um centro comercial. Tomei café, li, escrevi, ouvi música, observei o movimento. Logo depois fui ao meu antigo trabalho. Visitei os amigos, ri, contei piada, atualizei-me das novidades. Então pulei para um supermercado das redondezas e abasteci a despensa.

Entre um ponto e outro, o café, a visita e as compras, a coincidência me levou sempre – ok, nem sempre – a uma linda gaja de cabelos cacheados e sandálias trançadas. Cruzamos caminhos e olhares, então surpreendi-me ao descobrir que moramos perto.

Não sou partidário da ideia de destino, isso é coisa mais da minha irmã. No entanto, melhor deixar as portas abertas e considerar qualquer possibilidade quando se vale a pena. Quem sabe não avisto, em breve, outra vez a barata?

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