terça-feira, 18 de agosto de 2009

Poderoso alucinógeno


Nos últimos tempos, nos últimos textos, a palavra mais utilizada neste espaço foi saudade. De fato, sinto muita. E tenho experimentado diversos tipos, distintos sabores, variadas sensações. A saudade é um alucinógeno dos mais poderosos. É como fome: só se sacia quando come.

E se pensam que é saudade apenas do que ficou no Brasil, enganam-se. De lá, tenho enorme. Mas convivo com a saudade até do que está ao meu redor. Já penso no que não me pertence, que um dia direi adeus à paisagem que tornou-se minha também.

Por mais distante que uma terra estrangeira se faça no cotidiano – sim, é distante –, há qualquer coisa como grãos de areia que grudam-se em nós e os transportamos sem notar. Além de deixarmos pegadas...

Levo daqui a beleza de histórias simples e eternas. Mas, hoje, ainda pouco se reconhece essa força. Momentos que formarão fantasias; fantasias que revelarão contos; contos que contruíram caráteres. É para cada um que batizou minha trajetória que escrevo de coração aberto. E digo obrigado. A saudade é a cama.

Existe intensidade demais dentro de mim e a escrita acaricia o meu peito. Durmo poucas horas porque já consigo despistar o sono. Eu sonho, na verdade, acordado. E tenho saudade de dormir abraçado com a saudade.

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