sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O romântico

É engraçado e estranho encarar, de novo, a solidão. Eu tenho ido e vindo, criado e destruído, absorvido o que o tempo me mostra, entrado pelas portas que o vento escancara, sentido a vida que lambe meu rosto, o gosto de experimentar e colecionar contos.

Mas... é simples ver-me só cheio de gente ao redor. Falta mais ou não falta nada. Parece que estou sempre a perseguir algo. O que desejo ainda não tem nome. Sou como alguém que procura incerto o objeto escondido que não sei o que é. (São frases de Lispector e Pessoa, respectivamente. Sem aspas porque não foram reproduzidas na íntegra.)

Recebi há umas semanas, de uma pessoa muito especial, a passagem abaixo. Que diz tudo o que sempre quis dizer, porém não tive a genialidade do Luis Felipe Pondé. E às vezes queria simplesmente ser alguém que conseguisse exprimir no papel as confusões que se passam na mente. Mas também queria ser Caeiro e existir... sem significar.

O romântico não é propriamente um idiota nostálgico, o romântico é um sobrevivente, sente-se como uma espécie caçada, um mutante que já nasceu num habitat hostil. Às vezes, esse tipo de ser é mais perigoso do que você, que ri tranquilo, cercado pela crença boçal de que o mundo seja seu. Os melhores entre eles aprenderam a dissimular a lágrima, mudar de assunto, fazer uma piada inteligente, fechar a porta do quarto. Quem se sabe desde o início derrotado, detém uma forma de poder invisível que o torna perigoso, justamente porque não combate pela vitória, mas sim porque sua natureza é não ter futuro.

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