segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Há um certo ceticismo


Eu faço e desfaço. Traço e disfarço planos. Meço meus passos, jogo-me no precipício sem qualquer laço. É que mudo tanto ao longo de um dia que já não sei ao certo quem sou.

Tem horas que quero o mundo. No segundo seguinte, quero me aquietar. Flerto com infindáveis jornadas, enamoro simplicidades estóicas. Parece que deixei o meio-termo em algum caminho pra trás...

Ontem pousei a cabeça no travesseiro e toquei a pensar no futuro. Demorei uns bons minutos antes de apagar por completo – e despertar às 4h, com sede de água e de respostas. Para onde, afinal, eu me guio?

Existem convicções tão arraigadas que, às vezes, é difícil defendê-las. Ou defender-me delas. Existe uma necessidade de viver, abraçar o tempo, recriar a rotina que choca-se aos preceitos tradicionais do emprego, casa, família. E confesso que ando com o corpo cansado de estar sempre a provar algo – ainda que seja pra mim.

Mas não deixo de carregar um orgulho puro, a força que se forma internamente para sustentar as fases árduas, de solidão dilacerante. Em terra estrangeira a gente descobre que pouquíssimas pessoas importam-se contigo como aquelas que partilharam o seu crescimento.

Então aprendemos a ser individuais sem egoísmo, saudosos sem fantasiar, a pensar com a emoção e sentir com o pensamento... sem ter muita ideia no que isso vai ser útil. Acho que estou cético.

2 comentários:

Leandro Afonso Guimarães disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Leandro Afonso Guimarães disse...

há muito, mas muito tempo eu não passava por aqui. e agora percebo, lendo seu texto, a enorme besteira que cometi com essa ausência, gustavo. só consigo querer fechar a janela, voltar pra o texto, e lê-lo de novo. sério.