quinta-feira, 23 de julho de 2009

Roda mundo, roda pião


Pode soar estranho, mas tem horas que esqueço que estou em um país estrangeiro. Não tem a ver com adaptação, imersão, rotina... ou tem a ver sim com tudo isso. Porém, simplesmente esqueço.

O idioma ajuda. Hoje já misturo portugueses a brasileiros quando o sotaque de um ou de outro não é carregado. Aliás, por falar em idioma, uma amiga sonhou em português europeu. É o que diz a sabedoria popular: isso acontece porque está bem inserido na cultura.

Eu tenho escutado muita rádio. É a melhor mídia daqui, na minha singela opinião de jornalista – mas agora todos somos jornalistas. A TV é muito quadrada; o impresso é muito arcaico. Ao lado da rádio estão as revistas.

Mas já estou escapando do que queria comentar. Ah, sim... que começo a me ambientar também com o humor. O português tem algo de escrachado, um estilo mais bonachão. Não sei bem como descrever, mas constroem umas piadas inteligentes e rápidas.

Como enfatizei ontem, ao telefone, para minha mãe: esta experiência tem sido enriquecedora. Difícil montá-la em palavras. Talvez eu até exagere, por abraçar com força demais as situações, mas é como sinto-me vivo. E, ultimamente, minha alma está receptiva.

Um comentário:

Luciana Lopes disse...

O título desse seu texto me fez recordar uma música da qual gosto muito: Roda Viva do nosso grande Chico Buarque.
Deixo aqui então um pouco do que já foi escutado nas nossas rádios brasileiras(quando realmente escutávamos algo que prestava).

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...
A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou...
A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá...
O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou...
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá ...