domingo, 12 de julho de 2009

Não se contentar


O mal da inquietação é não se contentar com um relato. O inquieto quer presenciar, quer estar lá, quer ver com os próprios olhos. Porque escutar aguça os sentidos, mas não sacia o desejo de experimentar.

Por que digo tudo isso? Porque três amigos estiveram em Barcelona na última semana – e já viram onde vou chegar. Voltaram com um monte de histórias, com diversas impressões, com enredos que chegam a ser uma tortura para mim. Tenho a alma viajante, e ouvi-los atiçou-a.

Desde então reviro-me em devaneios catalães. Estaria satisfeito com uns dias, umas semanas na cidade... mas como diria Paulinho Moska: “o muito pra mim é tão pouco”. E tracei planos de um, dois, três meses por lá.

Planos um bocado ambiciosos e distantes da lógica. Bem distantes mesmo! Pois dizem que é difícil conseguir trabalho sendo estudante. Pior: um estudante de fora da União Europeia. Além disso, não domino o castelhano. Muito menos o catalão – sou um completo analfabeto no idioma.

No entanto, as realizações têm de nascer de algum lugar. Quer seja de uma simples vontade, quer seja da mais altiva inquietação; venha das certezas de sempre ou das dúvidas de momento. Porque a vida são os contos que a gente coleciona – e a presença de quem se gosta.

Daí quando pedirem um relato meu, de Lisboa, Barcelona, Florianópolis, Brasília ou qualquer outro canto que tiver a chance de absorver, darei com prazer. Mas completarei com ênfase: não se contentem. Inquietem-se! Afinal, isso é a vida.

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