terça-feira, 7 de julho de 2009

Os medos entranhados


Afinal, eu tenho medo da rejeição. Há quem tenha medo de ser aceito. E qual é o seu medo mais entranhado? – alguma vez já pensaste nisso?

Pode dizer que seja o de ficar, pois já conheci vários com medo de partir. Medo da proteção existem muitos. Da insegurança, tantos outros. Há o medo da luz e a escuridão que mete medo, o medo do calor e do frio.

Medo de se mostrar ou de se esconder. Tantos medos à mercê. Sei de gente com medo dos olás e gente com medo dos adeuses. Medo do muito, medo do pouco, medo da entrega, medo da carência, medo de si, medo do outro.

Trombei com quem a solidão traga medo. Mas também com quem sinta medo da liberdade. Já confessaram-me medo da mentira, medo da verdade; da presença e da saudade. Eu tenho medo da frieza, e não da simpatia.

Há medo pra certeza e medo pra dúvida. Medo pra tempestade e pra calmaria. Medo até da democracia, vejam só. Medo da renúncia. Medos que vão da mudança à mesmice, do silêncio ao estardalhaço, do distante ao próximo. Tem medo para se dar e vender – e há quem tenha medo de doar, enquanto outros têm de receber.

Já vi medo de chorar e medo de rir. Medo do tempo e tempo de sobra para se ter medo. Medo da teoria, medo da prática. Medo do ridículo é imbecil, diria Nelson. E do possível, que tipo de medo ele definiria? Andam a ter medo do eterno, mas eu tenho medo é do perecível.

O que não tenho é medo de arriscar. Medo da omissão, sim. E acompanha, por aí, o medo do acerto, além do medo clássico do erro crasso. O medo de ir fundo, de manter-se no raso. Medo do junto e do separado, do lógico e do mágico. Até medo de cachorro e de gato.

E os medos repetem-se, sem darmos conta. Medos que impedem conhecer algo maior – dentro e fora de nós. Medo do abismo do desconhecido, do chão firme do desbravado. Medo de parar de fingir autossuficiência, de tocar nos mais íntimos medos da gente.

Um medo banal de alongar-me demais no texto e ninguém chegar ao fim. Fim que é sempre o início de um novo caminho – e isso dá um medo.


Ps.: Obrigado a todos que se manifestaram nestes dias de pausa necessária. Essa demonstração de carinho motivou-me mais que imaginam. Antes de qualquer coisa, escrever é decifrar-me (e vocês me ajudam na jornada).

Um comentário:

Anônimo disse...

Tive medo de perder de vista seus textos e não poder te acompanhar longe.
Que bom que vc voltou a ativa.
bj