quinta-feira, 16 de julho de 2009

Jorge Palma, Belém, quarta-feira

Aos poucos, reaprendo a estar só. É um dos efeitos colaterais da liberdade. E dos mais impactantes – vez ou outra, nos vemos sem ninguém ao lado para partilhar uma descoberta, um sorriso, uma melancolia, uma bobagem, uma seriedade.

Não tenho receio de gastar o tempo comigo ou de enamorar a solidão. Aprecio o vazio. Mas estar sempre só nunca é bom. Ontem tive um daqueles instantes de desconforto visceral, e não foi dor de barriga. Apenas um show assistido sem companhia.

Tudo bem que centenas de pessoas prestigiavam o Jorge Palma e seus convidados. Tudo bem que o palco armado era em frente à Torre de Belém, quase a navegar pelo Tejo – de fato, um lindo cartão-postal de Lisboa. Ainda assim, havia alguma coisa ali que me deixou taciturno.

Por conta das minhas andanças, abdiquei de uma riqueza suprema: a cumplicidade. Do olhar que é porto seguro, que é ligação íntima com o passado, que só alguém que te conhece realmente consegue dar. Como o amor incondicional e incontestável dos pais e da irmã, sempre a superar problemas e dividir belezas.

Renunciei à presença apaziguadora dos amigos. Do Diogo, que conheço há 21 anos. Do Matheus, que é irmão de alma. Do Paulista, meu sábio guru. Do Felipe, engraçado e inteligente. Da Ci e da Boo, a dupla dinâmica. Da Jana e da Taty, mais que colegas: parceiras de boas histórias. Do Gruba, com seus 1,90m de pura bondade.

E quando o JP tocou a música portuguesa que mais gosto (veja abaixo), lembrei de todos esses cúmplices de duas décadas, aos quais desencostei-me. O coração ficou pequeno e frágil porque só queria fazer da letra, a realidade. Ninguém há de cravar a importância que tem de inventar com uma pessoa estimada o que ainda não se viveu.

(Enquanto isso, experiencio a quietude e tento aprender novamente com os diversos tipos de silêncio.)

2 comentários:

Anabela da Silva Maganinho disse...

é pah menino. já nao posso com esta tua idolatração ao Palma, aquele que tem sempre na palma na mão tudo... mas mesmo mesmo tudo.
Bem, tou a ver que precisas é de concertos no Norte Carago:) LOL Pó ano fica a promessa de todos no Rock in Rio:p

Andréa disse...

Oi Gustavo!
Não conhecia esse cantor, mas desde que vc postou o vídeo, juro, não canso de ver.
A canção é belíssima e vem ao encontro de coisas difíceis que eu estou vivendo.
Aliás, ultimamente você tem escrito de uma forma ímpar.
Ler vc é imprescindível.
Beijo grande e, embora nunca tenhamos nos visto ou sequer falado, Feliz Dia do Amigo.

Andréa