domingo, 7 de junho de 2009

Rimo*

Rimo sem rumo, sem remo, sem prumo, nem por que, nem por onde, nem talvez. Talvez não rime, só riam de mim. Numa risada ingrata, dilacerante e sem fim.

Enfim, quem sabe o que faço? Ou tento ou consigo ou minto que tudo isso parta da minha vontade. À vontade, não acho, mas procuro, investigo e instigo a inspiração (sem piração).

Numa fração, encontro. Na outra, eu perco. Daí não rimo. Recuo, retiro e recrimino qualquer palavra sem finalidade ou arte ou parte que complete o vazio do rapaz, que escreve, na solidão contumaz, sobre a paz que cessa e confessa a fraqueza. Melhor: esqueça. As palavras não merecem a delicadeza da rima.

Merecem, sim, a tristeza. Como musa de uma obra-prima.

* De 8 de julho de 2005

Nenhum comentário: