terça-feira, 30 de junho de 2009

O fim de um ciclo


Está no imaginário popular, no inconsciente coletivo, em telenovela da Rede Globo, em traseira de caminhão: agosto é o mês do desgosto. Ora pois, para mim foi junho. Ô mesinho insolente este seis! Tipo um tapa na cara. Ou como diria Nelson Rodrigues: uma bofetada metafísica!

Foram embora dois grandes amigos de fé, irmãos camarada. Gente que fez valer cada segundo da minha história em Portugal. Gente que contribuiu para tantas risadas e conversas, que transbordou companhia em tardes vazias.

Porque estar longe de tudo e de todos não é fácil, meus caros aspirantes a aventureiros. Mais que isso: é dificílimo! – nos põe carentes ao extremo, acreditem no que externo.

Também em junho (juro que em 2010, na Copa, tudo será diferente) perdi minha melhor parceria, minha guia nativa, minha alfacinha de covinhas. São coisas da vida, embora pareça deixar bem perto é da morte – simbólica, claro!

Mas Drummond já alertara, na sua sapiência mineira... e o Matheus lembrou-me, na sua amizade verdadeira:

Vamos, não chores...
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.

Tiveram outras perdas e danos, portas que se fecharam – ou se abriram, dependendo da perspectiva. As aulas do mestrado, por exemplo, não combinam com verão. E o que está a me inquietar mais que tudo é achar que o ciclo em Lisboa encerrou-se...

O quê? Voltar agora ao Brasil? Nada disso... inspiro-me em Amyr Klink: “um homem precisa viajar”. Por mais saudades que sinta, por mais sensível que tenha ficado com os adeuses programados e repentinos, ainda há muita estrada pela frente.

Afinal, julho começa amanhã!

***

Sempre fui amoroso. É meu sangue puro que corre pelas veias. Quando pequeno, minha mãe vinha dar boa noite e eu pedia para que ela deitasse ao meu lado e ficasse até adormecer. Só a presença tranquilazava-me. Às vezes, a simples presença de quem gostamos faz toda a diferença – e estou aprendendo a valorizar isso.

2 comentários:

Luciana Lopes disse...

´´Saudade é ruim assim. Eu digo isso por mim que vivo triste a chorar..´´
Entendo o que estas a passar. Compreendo bem tuas afliçoes. Sinto também saudade dos amigos, embora estando perto.......na verdade estou perto e longe. Alguém entende?
Cabeaça de concurseiro é algo incompreensivel.
Mas oh, o Brasil te espera e até a sua volta, prometo que monto um fã clube ok?
Beijos bem brasileiros, com gosto de rapadura e açai.

Bembi disse...

A bruna sempre pede pra eu ficar até ela dormir e sempre fico. será que ela será amável e incrível como vc?
A vida é cheia de chegadas e partidas. O lance é manter o coração aberto sempre para as chegadas, porque o que passou... passou.
Te gosto muito. Volte logo e volte sempre.
Um beijo do tamanho do oceano que nos separa.