terça-feira, 2 de junho de 2009

O condutor do primeiro adeus

Eu, que tantas vezes parti, agora vi partir. E entendi como é ficar na estação à espera de um olhar esperançoso, de um último aceno. Mas continuo a acreditar que o adeus é transcendental. As maiores mudanças começam com um tchau.

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E-mail passado nesta primeira terça-feira de junho. Um dia quente lá fora. Foi endereçado a um trio de importantes amigos feitos e cultivados.


Amigos, hoje é um dia meio vazio... triste, por assim dizer. É um daqueles dias que a gente acorda com um peso enorme no peito, sem saber muito bem como tirá-lo. O tempo o fará, sabemos disso, mas até que o tempo se encarregue da maneira que sabe e gosta de trabalhar (com paciência e moderação), a gente anda por aí com esses quilos a mais. É uma mistura de duas coisas: saudade e todo o resto indefinível.


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Versos de memórias, mais que de palavras, intitulado Poema numa caixa.

Rapariga do sotaque divertido
este poema não fresca contigo
É apenas um modo distinto
de registar o que sinto

Desculpe lá, se abusei das besteiras,
por te deixar tantas vezes vermelha
(Coitada: foste logo a primeira
a se deparar com esta minha maneira)

Obrigadíssimo pela fiel companhia
Dos shots nas noites vadias,
dos gelados na praia vazia
Foi fixe partilhar o que se descobria

E levarás pa sempre na lembrança
a maluca da Penha de França,
as conversas de mútua confiança,
a lua no Tejo, admirada à distância

Quando a vontade for intensa
Daquelas, que não há foto que arrefeça
Vá a uma padaria portuguesa,
peça uma bica e uma sobremesa

Já imagino o sorriso sem fim
ao veres na montra a “bomba” de Berlim
ou recordares do cover de Encosta-te a mim
E pah... o destino é mesmo assim

Cheio de encontros e despedidas
Um barco se vai, outro barco que fica
o tempo foge, não há quem repita
Talvez seja essa a graça da vida

Por falar em Graça... e o mestrado, afinal?
Professor e estudante em qualquer sítio é igual
mas as semelhanças entre Brasil e Portugal
param na mesa da esplanada, com a imperial

Ganda pena que vais perder o calor,
as gafes da Ju, as cenas no Chapitô
Toda bagunça em Lisboa terá menos valor
no momento em que você se for...

Mas é giro como o mundo gira
A cada adeus um novo mundo germina
Por que perceber como a história termina?
se contra a saudade nunca inventaram vacina

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