domingo, 14 de junho de 2009

Nova expedição interna

Desviei-me do meu ser sem que eu ao menos percebesse. Nesta última semana reexperimentei uma angústia juvenil, uma agonia confusa e urgente que só a paixão produz. E minhas energias esvairam-se todas.

O amor é um dever que a gente tem de levar para casa. Tem de se aplicar e estudar no silêncio amortizador da tarde vazia. Ainda que lá fora a vida esteja a correr – e cá dentro nos consuma a ansiedade por terminar logo o dever.

Foi ao ler os arquivos deste blogue, enquanto meu peito saltava com os lampejos do coração, que entendi o quebra-cabeça. Foi ao conversar com minha mãe – e matar a saudade da serenidade que me abandonou por esses dias – que organizei meus pensamentos.

Estou sempre disposto a tentar. E acho “tentar”, concordando com o escritor Fabio Hernandez, um dos verbos mais bonitos do idioma. “Sempre tentar, ainda que tantas vezes, em certas noites escuras e frias, tenhamos vontade de dizer: chega, chega, chega.” Das tentativas nascem os mais belos enredos, os romances épicos, as superações dos dramas. Quem se abstém do risco, forja a existência.

O meu futuro é tão incerto quanto é o presente. Agora, caminho mudo pelas ruas, munido de sentimentos vários. Pouso a imaginação que viaja a esmo e busco o conforto da memória poética. Lembro em todo lugar que passo; lembro de olhos abertos e fechados.

Ao confirmar o desvio do meu ser, já iniciei o caminho para a reaproximação. Sinto como se fosse partir para uma nova expedição do aprendizado, sem saber os perigos que enfrentarei. (É engraçado, porque nunca parece haver descanso nesta jornada interna...)

Preciso levar na mochila: amor – no seu sentido mais puro –, escrita, crença, verdade e calma. No fim das contas, estamos sempre sós.

2 comentários:

Anônimo disse...

Como podes me falar para eu ficar só com a ilusão do escritor?
O escritor é um dentre muitos que não se revelam ao amanhecer mas sim ao cair da noite numa escuridão profunda, tão profunda quanto o abismo que as vezes se cria.
Estar só é bom mas o querer só estar só é necessário. É assim que nos percebemos mais e podemos mergulhar no lugar mais obscuro que existe: nosso eu.

Andréa disse...

Gustavo,
como leitora assídua desse teu espaço posso dizer apenas uma coisa: emocionante!
Parabéns!
Vocês está cada dia melhor.
Beijo,
Andréa