segunda-feira, 22 de junho de 2009

Mais novo* || O não-amar**

Quando eu era mais novo, sonhava com o amor eterno. Diferente dos garotos da minha idade, imaginava quando arrumasse uma namorada, uma companhia para as tardes de domingo, alguém a quem dedicasse um poema e lembrasse ao escutar uma canção. Sonhava com a sintonia, a afinação dos corpos – como dois instrumentos musicais íntimos e ritmados.

Quando eu era mais novo, tímido para cortejar as meninas, avesso às frases feitas e cantadas-clichês, acreditava no par perfeito. Sabia que a relação é uma conquista diária, um árduo contrato de negócios, mas o amor tinha! devia! era obrigado! a superar todos os percalços. Eu era um romântico idealista.

Quando eu era mais novo, confuso quanto ao primeiro beijo, ansioso pela primeira transa, já sabia que mulher deve ser tratada com gentileza. Anterior ao galanteio, a gentileza é sinal de educação e respeito – um exercício de civilidade. Porém, achava que todas gostassem e soubessem retribuir.

Quando eu era mais novo, tinha momentos em que me imaginava adulto – e... sim, pai. Continuo a fechar os olhos de vez em quando e me ver brincando com meus filhos. Assim como continuo cavalheiro, tímido e sonhador com o amor.

* Texto de 3/10/2008, véspera do embarque a Portugal

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Amamos a idéia de alguém, me confessou Fernando Pessoa. E tão-somente. Ouvi, entendi e achei que é mesmo isso. Uma idéia, aquilo que projetamos. E deixamos de amar por que, mestre? A imagem poética se foi? A realidade sufocou o sonho? Por que deixamos de amar, quando o amor é a melhor razão/emoção que temos? Por que, Fernando? Por quê?

** Texto de 2/10/2006

3 comentários:

Luciana Lopes disse...

Como já dzia a música: ´´Romanticos são poucos...´´
A propósito, você me perguntou se eu tinha um dossiê né? Não, eu não o possuo porém, guardo tanto as coisas boas quanto as ruins que me falam. Sou um ser extremista.
E aí, ainda duvidas que sou sua fã?
Não sei se fã do amigo virtual, do escritor ou de ambos.

Rafael Cury disse...

Vesti esse texto, meu velho, como se fosse eu que tivesse dito. Difícil ser romântico. Hoje, depois de passar tanta coisa parecida com o que você contou, acredito na frase do Borges: "se apaixonar é criar uma religião com um deus falível." Amplexos tupiniquins.

Andréa disse...

Meninos (no caso Gustavo e Rafa Cury),
é realmente difícil ser romântico(a) nos dias de hoje.
Mas eu ainda acredito nas pessoas.
Porque não cabe o que tem de bom dentro de mim.
Bjs,
Andréa

PS: Gustavo, seu texto leu minha alma.