sábado, 9 de maio de 2009

Sobre maconha e minha mãe

A Marcha Global da Maconha tomou as ruas íngremes da capital portuguesa. Foi o dia da multidão sair com faixas e cartazes na mão, limpar a garganta para gritar e pedir a legalização, despenalização e descriminalização da erva. Eu não estive por lá.

Por opção? Não, obrigação. Como bom trabalhador de fim de semana, tive de bater o ponto na cafeteria. Mas também nem iria. Sou péssimo em carregar bandeiras – ainda que carregue conceitos e ideias.

O evento deve ter reunido um número significativo de pessoas. Minha leve impressão aponta que a marcha só perde em aglomeração para o 25 de Abril, quando é celebrada a Revolução dos Cravos e consequente queda da ditadura, e na Festa dos Santos Populares, em junho.

Ainda nem procurei saber nos noticiários quantos compareceram ao Largo do Rato. No entanto, algo me diz que deve ter sido muitos.

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Falando em datas, amanhã é Dia das Mães. No Brasil. Aqui as coisas são diferentes. O pai é homenageado em 19 de março. As mamães lusitanas ganham seus presentes e afagos no primeiro domingo de maio – e não no segundo, como é em solo tupiniquim.

Portugal também segue o modelo quase universal do Dia dos Namorados em 14 de fevereiro. E o 21 de abril, Dia do Descobrimento do Brasil, nem ao menos é mencionado nos cantos. Deveria?

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Quem me conhece sabe que sou pouco adepto dessas datas comemorativas. Mas a distância nos deixa um bocadinho sentimentais. Por isso, um grande beijo à minha querida mãe pelo dia de amanhã.

É muito graças a ela, à forma que me educou para o mundo, que estou onde estou. Se não fosse sua paciência, amizade, força de vontade, mente sempre aberta e o apoio incondicional, não seria metade do que sou.

O crescimento nunca é solitário. Temos modelos na vida, e a dona Sandra é minha base. Ou como Fernando Pessoa sintetizou, aos seis anos de idade, no seu primeiro poema:


Eis-me aqui em Portugal
Nas terras onde eu nasci
Por muito que goste delas
Ainda gosto mais de ti.

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