domingo, 31 de maio de 2009

Nas entranhas portuguesas (Parte 3 - Última)


A verdade é que já cansei demais vocês com mistério. Eu mesmo fartei-me deste lenga-lenga do blogue, que não vai na frente do carro nem o conduz. Pois a história de como descobri Portugal (uma parte do país, eu quero dizer), termina aqui. Finalmente.

Nem precisa de muitos adjetivos para descrever a próxima parada: Óbidos. Quem sabe da cultura lusitana, sabe da cidade medieval. Aquilo é mesmo lindo, de uma sutileza fenomenal. Gostei, especialmente, da simplicidade cotidiana misturada ao deslumbre turístico. Óbidos parou no tempo, e é um tempo que se renova.

Se o trajeto rodoviário tinha sido até então exitoso, a partir das muralhas, tudo se transformou em Idade das Trevas de novo. Exagero, mas eu juro que vinha bem de navegador. Bastou errar uma entrada para toda a reputação ruir, minha imagem vir abaixo.

Passamos por vilarejos que parecem adormecidos. Às vezes, mais mórbido ainda: parecem aqueles sítios fantasmas dos filmes. Nenhuma viv’alma nas ruas. Esquisito. Se cruzávamos com alguém, parecia que vínhamos de outro planeta. As conversas cessavam e os olhares nos acompanhavam.

Do mesmo jeito que a incursão deu início, teve fim. Retomou-se o percurso estudado (ainda que no improviso dos grandes navegadores) e desembarcamos em Mafra, para uma visita ao Convento de Mafra. Visita, aliás, que culminou no empréstimo – a mim – da obra do Saramago, Memorial do Convento.

“Era uma vez um Rei que fez a promessa de levantar um convento em Mafra. Era uma vez a gente que construiu esse convento. Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes. Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido. Era uma vez.”

Entre tantos livros que apanham poeira no meu quarto, este é mais um que quero ler. Mas começa uma nova fase cá, em Lisboa. E em novos começos a vida segue...

Um comentário:

Verinha disse...

Sabes que durante a viagem já me estava a preparar para admitir o teu "bom" sentido de orientação, mas aquelas «más» escolhas depois de Óbidos só vieram a reforçar a minha ideia... compra um GPS, Gus! =P