terça-feira, 26 de maio de 2009

Nas entranhas portuguesas (Parte 2)


O amor proibido é, talvez, o mais gostoso e apreciado, o amor mais vertiginoso, e também o mais perigoso. Dom Pedro e Inês de Castro conheceram esse enredo novelesco no século 14. A fidalga galega foi morta a mando de D. Afonso IV, pai do príncipe português – que discordava do enlace.

Conta a história que as lágrimas derramadas por Inês no Rio Mondego criaram a Fonte dos Amores da Quinta das Lágrimas, em Coimbra. O lugar que testemunhou os ósculos soturnos do casal, curiosamente, tornou-se um retiro de ricos. É um campo de golfe, e por 2€ revive-se as trilhas pela mata, admira-se as fontes e os jardins.

Quando foi consagrado rei de Portugal, D. Pedro teria obrigado a corte a repetir um ritual mórbido de coroação e do beija-mão à Inês. Lenda ou não, o que é fato é que o monarca mandou construir no Mosteiro de Alcobaça dois túmulos para guardar os restos mortais da amada.

Também estive em Alcobaça para acompanhar o desenrolar desse roteiro. Os sepulcros são minuciosamente trabalhados, em calcário. É impressionante ver a riqueza dos detalhes. Pedro e Inês foram postos frente a frente, para erguerem-se ao despertarem no Juízo Final e olharem-se nos olhos.

Lembrei de imediato um autor que aprecio, e sua mensagem estóica: “Não existe morte mais gloriosa do que a morte por amor. E também não existe forma mais sublime e definitiva de amor do que aquele que faz morrer. E acrescento o seguinte: morrer de amor não é escolha. É destino”.

Pois ainda nem contei de Óbidos, Mafra e as voltas na estrada. Afinal, a viagem tinha mesmo de ser um passeio nas entranhas portuguesas.

Nenhum comentário: