domingo, 17 de maio de 2009

Misturar-se


Ambiciono escrever sobre o preconceito sem ser maçante ou pedante, sem que o texto soe como um sermão politicamente correto. Às vezes, me acho mesmo um militante do anticonflito, seja lá o que isso quer suscitar. Mas a intolerância me incomoda drástica e permanentemente.

O misturar-se ao diverso é das maiores riquezas que podemos empreender. Não entendo como isso possa gerar rusgas ou receios. É perceber-se como ser único e múltiplo, é aprender sempre sobre raízes (velho) e mudanças (novo). E do estúpido oposto, nasce o pré-conceito das coisas, das pessoas, dos ambientes.

Um dia desses conversava sobre os brasileiros que vêm a Portugal à procura de legitimar seus julgamentos. Julgamentos trajados de anedotas, de "verdades", de histórias. A gente se veste de ideias prévias e, em vez de se despir, parece procurar mais e mais peças.

Algo que inquieta é grupo. E, para continuar a falar dos meus conterrâneos – até porque são os que entendo melhor, ou menos pior –, há uma lista infinita de brasileiros que chegam ao exterior para se relacionar apenas e tão-somente com... outros brasileiros.

Tudo bem que pesam os fatores saudade, carência e afinidade. Mas alto lá! A oportunidade de viver no exterior tem de ser partilhada e absorvida. Se não há abertura para o misturar-se, a tendência é fechar-se ao diferente. E pior, quando o caso é Brasil-Portugal: buscar recursos para justificar os pré-conceitos trazidos.

Estou cansado de discutir nacionalidade, cor de pele, orientação sexual, religião. Cansado de tentarem encaixar as pessoas únicas, sempre e sempre e sempre, em hordas... simplesmente para alimentar intolerância. Ambiciono nunca mais escrever sobre preconceito, isso sim. Quero ser anticonflito e pró-diversidade, seja lá o que isso quer suscitar.

3 comentários:

dani z disse...

gu, acho que vc está sendo um pouco radical. não sei como é o convívio com os portugueses. mas para quem já morou em outro país, eu posso dizer que se misturar não é tão fácil quanto parece. há muito preconceito. eu senti isso na pele e por parte de todos (brancos, negros e latinos). nem sempre é tão fácil como parece ser. bjs

Gustavo Jaime disse...

Sim, eu imaginei que este post pudesse ascender o estoicismo. Concordo, Dani, que não é fácil como parece... meus quase 8 meses aqui mostram isso muito bem. No entanto, o que critico - e seja de onde se parte o pré-conceito e os motivos - é se fechar nesta avaliação prévia e pronto. O tempo em Portugal mostra que pessoas com a visão turva é comum... agora não é por um ou outro episódio que vou me retirar de qualquer possibilidade de mistura. Há preconceito, há discriminação, há intolerância... mas enquanto eu puder fazer minha parte para não propagá-los e combatê-los, eu farei... com utopia que seja. E talvez com essa impressão externa de eu ser radical.

dani z disse...

nossa! foi mal.