sexta-feira, 8 de maio de 2009

A loucura anda solta

Lisboa é uma cidade de loucos natos e hereditários. A cada esquina me deparo com um sujeito lelé-da-cuca, que não bate bem da cachola. Tem tanto maluco por metro quadrado que periga de a gente virar um também no metro quadrado vago.

Há um senhor à saída da estação de Saldanha. Está logo à esquerda das escadas, parado com seu terno cinza, fones de ouvido e cachecol verde do Sporting. Não importa a hora, não importa o clima, o homem fica lá, a observar o movimento.

Nas calçadas de Arroios, por vezes, cruzo com uma paciente psiquiátrica em potencial. A dona já deve beirar os 70 anos e anda como se tivesse 12... na década de 30! O rosto pintado, duas chuquinhas no cabelo e vestido rosa. Bem, impossível ser preciso na descrição.

O metro é chamariz de tantãs. Nem vou especificar sobre as dezenas de pessoas que falam sozinhas. Tenho medo de sentar em cima do amigo imaginário de alguém e levar uma bronca desconcertante. Prefiro manter distância. Posso me tornar inconveniente – ou então conveniente demais com essa minha cara de bom rapaz.

Há um pedinte cego na linha azul, a batucar seu rap divertido. Raramente, porém, ele consegue que lhe depositem moedas na lata prateada. Já é conhecido, o gajo. Até porque na falta de receber dinheiro, trata de desaguar uma série revoltada de xingamentos aos passageiros “fascistas” e ao sistema.

Tem outro conhecido e reconhecido que me lembrei agora. Era lenda até vê-lo em cores, a desempenhar seu ato noturno próximo a um semáforo. O velhote simplesmente está lá a acenar tchaus aos carros que passam.

Há, ainda, uns doidos mais comuns. Ou menos extravagantes. No café aparecem diversos, mas o que nos têm intrigado é o tal “senhor da mesa 5”. Ele chega normalmente entre 15h30 e 16h de sábado E de domingo, senta-se SEMPRE à mesa 5 e pede um chá de tília com quatro açúcares. Bem-apessoado, saca o jornal e põe-se a ler o periódico por horas a fio.

O detalhe bizarro é que só a mesa 5 lhe serve. Já o vi ficar uns tantos minutos em pé, à espera de que o seu espaço vagasse. Isto com vários lugares à disposição. Deve ser alguma tara pelo número... vai entender.

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