quarta-feira, 6 de maio de 2009

Hoje, sou catalão


Não me peçam nada. Não me digam coisas que não sei. Não invoquem sonhos intocáveis. Não se inspirem em verdades orbitantes. Hoje eu quero ser catalão. Quero rasgar as ruas de Barcelona e comemorar o êxito na semifinal da Champions League.

Superamos o Chelsea em pleno Stamford Bridge, de maneira épica. Romântico... sou mesmo um romântico. Um clássico, um tradicional. E que mal há em ser aquilo que a gente quer ser, e não consegue se furtar? Desconcerto-me, porém, com a expressão futebol-moderno.

De moderna, basta a vida. Ou de pós-moderna, para ser mais específico. Enfadonha e confusa. Quero embriagar-me de vinho na celebração catalã. Lembrar do gol do Iniesta, aos 46? 47? 48 do segundo tempo? sem me lembrar ao certo como foi, de onde chutou, em que ângulo a bola entrou. Fantasiar as maravilhas do instante.

Abraçar o amigo ao lado, o desconhecido, o operário, o empresário. E diante das distâncias que nos impõem a viver, aproximar-me efusivamente do todo, como se solitário não pudesse digerir a felicidade plena. Correr Barcelona de azul-grená e cerrar os olhos com a sensação da glória.

Pois amanhã um novo dia se molda... e andarei de peito estufado e estranhamente contente pela capital tumultuada da minha Catalunha.

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