quarta-feira, 15 de abril de 2009

Eu, Lisboa


Já ando pelas ruas de Lisboa como se fossem minhas. Reconheço os traços à distância e, na presença de seus prédios antigos, de seus moradores taciturnos, de suas ladeiras ambíguas, me invade a saudade.

Saudade do ausente a gente sente – e aprendeu como é –, mas do presente é coisa distinta. Minhas voltas ensinaram-me a sufocar qualquer tipo de dor causada pelo porvir, qualquer tipo de expectativa que criamos sem nexo. Ou mesmo o inexistente – monstro que adoramos alimentar na imaginação.

Aos poucos tornei-me um cético lúdico, um apaixonado equilibrado. Será o passo certo? Autenticidade talvez seja, e nessa busca constante, vago por aí com a preocupação tão-somente em me reconhecer nas coisas. Já ando pelas ruas de Lisboa como se fossem minhas.

O céu, a chuva, o vento frio, o Tejo, as buzinas intranquilas, os imigrantes, os nativos, o café, os bolos, os miradouros, os azulejos, as lojinhas, as subidas, as descidas, a castanha, os becos, as avenidas: já sou eu aqui. (E serei sempre)

Um comentário:

Rui disse...

Adoro Brasília e sinto como se tivesse vivido toda minha vida aqui. Agora, todo local com árvores altas, retas, copas frondosas, eu sinto como se estivesse em casa, na infância.
Cheiro de carro antigo também me leva para tempos idos.
Quem sabe Lisboa não tenha algo de Floripa.
Parabéns um pouco atrasado pelo aniversário.