terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Um sonho torto

Acordei de um sonho torto. Cedo. Aos desejos inexistentes e vontades recriadas. Acordei roto, de um sonho torto em que eu não me contentava com nada. Com o passado nem com o futuro; o que foi ou o que está por vir. Havia atingido o ápice neurótico da minha neurose apática.

Tenho uma particularidade nos sonhos. Os vivencio com lucidez. (Pelo menos esses em que estou de olhos fechados.) Consigo sair do cenário ludibriante, ausentar-me dos devaneios da cama e, como se parasse um filme, raciocinar sobre o que se passa.

É uma racionalidade expressiva. Um artefato que talvez explique de vez essa idéia de que saímos do corpo ao sonhar. Ou simplesmente sou um ser preocupado demais com o me deixar levar pela fantasia...

Fato é que sonhei torto, e sonho torto cada vez, com a garganta árida. O sentido que forma – e reforma – consciências está em falta comigo. Estou no último assento do trem, a contemplar a paisagem, mas sem passar por ela. Lembro pouco de onde vim, nada sei sobre onde estou, desconheço onde chegarei.

Ainda não acordei de um sonho torto. Cedo.

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