segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Pesar

Não é bem este tipo de e-mail que gostaria de te mandar. Há muito que não nos falamos e, com certeza, minha intenção era conversarmos sobre assuntos mais alegres. Fiquei sabendo da morte de seu pai. Uma morte assim, repentina, súbita – num domingo.

Fiquei sabendo que ele saiu para caminhar no parque, que voltou para o almoço, que uma hora depois sentiu-se mal. Ataque do coração. Me disseram que foi essa a causa. Justo o coração, tão ligado à vida, ao amor, à esperança, à poesia. Eis um dos tantos paradoxos da nossa existência.

Nunca perdi ninguém tão próximo, e confesso que o fim me comove com certo fascínio. O sofrimento vem é com a forma que ele chega. No seu caso, imagino o tanto que tenha sido doloroso. No dia seguinte não ter mais o sorriso, o olhar, a palavra.

Mas seja forte – por mais que já tenham repetido isso incessantemente a você. Seja forte pois tens uma áurea maravilhosa, uma pureza apaziguadora. E se nunca disse isso, quem sabe por conta da minha displicência emocional, te escrevo agora. Sempre foste um exemplo para nós: de amizade, persistência e carinho.

As jornadas que seguem carregam sempre as paisagens e memórias. Nunca as perca. Somos feito disso: de presença e de histórias. Ainda que elas não sejam palpáveis, estão lá. É pela nossa sensibilidade que devemos exercitar a calma. E, da calma, aprendemos cada vez mais a sermos sensíveis com o mundo.

Meus melhores votos e um abraço amigo.

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