domingo, 1 de fevereiro de 2009

Papos de metro


As viagens de metro sempre rendem ótimas conversas. Até que a vida de “topeira” não é tão ruim assim. Tudo bem que perdemos o que acontece sobre a terra, mas existe beleza nos trajetos subterrâneos. O contato com gente – das mais distintas possíveis – por si só já entretêm.

Porém falava dos papos acalorados nas profundezas de Lisboa. Quando voltamos das aulas do mestrado a cabeça está a fervilhar. Discute-se de tudo – passado, futuro, amor, desamor, política, futebol, jornalismo, emigração, imigração... nenhum assunto escapa. Na sexta-feira mesmo, engrenamos para o lado da relação homem-mulher. Mais especificamente para a vertente: o homem joga?

A Rebeca, cearense de Fortaleza, desacredita. Com certa veemência, diz que somos práticos demais para isso. Que não nos sujeitamos a perder tempo. No que concordo. Mas apenas nesse último ponto. Homem joga sim. Atua. Planeja. Planta. Colhe. No entanto, fantasia menos – ou mais escondido – que a mulher.

A Juliana, paulista de Ribeirão Preto, preferiu escutar. Não se manifestou. Mas todos jogamos, porque a vida é mesmo um jogo – esqueçam o sentido maquiavélico, apóio-me na simples premissa de que toda relação, naturalmente, é um jogo de trocas, um jogo de doações, de ceder, de querer, de testar, de recuar, de esperar. Impossível ficar fora desse tabuleiro.

Homem joga, e comenta com o outro, e traça objetivos, e antecipa ações. Mas é contido – diria que vai além de ser contido: é tímido, um tímido imbecil. Talvez porque quem se expõe na "jogatina" assume as fraquezas. O homem não é fraco. O homem é uma fortaleza sentimental, uma bastilha inexpugnável. (Ou assim quer ser e/ou transparecer.)

Queria que o Ernesto, moçambicano sem papas na língua, participasse do papo. Talvez por uma cultura diferente, talvez por uma sobriedade corajosa, ele destituiu qualquer hipocrisia de sua vida. Já afirmou que é machista – além de pessoal, seria um fator social – e veste a carapuça do “jogador” com naturalidade.

Até porque o gajo é inteligente demais a ponto de saber nomear as coisas que se passam ao seu redor. E arma estratégias, define e redefine comportamentos para atingir suas vontades. Não é o que todos fazemos, afinal? Homem, mulher, velhos ou novos.

Um comentário:

Vanessa Amaral disse...

tem jeito nao... ninguem escapa. :)
bj,

van