segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Pacto de existência


Há algum tempo fiz um pacto. Decidi parar de questionar o sentido de estarmos aqui e começar a aproveitar as experiências. Fernando Pessoa quem dizia: “As coisas não têm significação; têm existência”.

Pois já notaram que, vira e mexe, a gente se pega a raciocinar demais, medir as causas e consequências, calcular os passos, definir diretrizes? Planejar é bom, mas tudo em excesso tende a ser caótico. Então abdiquei da minha ansiedade.

Ou de parte dela. Afinal, ganhei inquietação – às vezes bem administrada, com calma e naturalidade; outras vezes com certa impaciência por viver. O fato é que quando atinjo o objetivo de colecionar contos, uma paz se apossa de mim com poder de renovar todas as esperanças do mundo.

O fim de semana esteve nesse patamar. Cobri o dérbi lisboeta Sporting x Benfica, no Estádio Alvalade XXI, pela revista Placar. É nessas horas que sinto ter uma das melhores profissões do planeta. Estava junto a quase 50 mil pessoas, plenas de otimismo e positividade, para assistir a um jogo de futebol.

Se não bastasse, ainda iria escrever sobre isso – e receber! Perfeito. A ficha caiu pouco antes de a bola começar a rolar. E vi o quanto essas pequenas coisas são muito mais importantes que enormes feitos. Tão bom descobrir a cada vez que entro em um estádio o gosto que tenho em fazer o que faço.

À noite ainda arrumei fôlego para “pular” Carnaval ao som de muito samba. Quer dizer, até o vira português tocou, até Mamonas Assassinas entrou no repertório – e eu dancei. Em ótimas companhias, tive uma folia divertida, única, memorável... para, no dia seguinte, curar a ressaca diante do mar, em Cascais.

Foi como Voltaire apontou: “O Ingénuo, segundo o seu costume, acordou ao raiar da aurora, ao cantar do galo [...]. Não era como a boa sociedade que se definha na cama, ociosa, até o Sol ter percorrido metade do seu curso, incapaz de dormir ou de se erguer, consumindo horas preciosas num estado que não é vida nem morte, e que ainda se lamenta de que a existência seja curta”.

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