quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Gregos e romanos


Porto que te quero. Mais uma tarde, agora agradável, na cidade do Norte. Pena que minha ida seja sempre com final precoce. Queria desbravar os ares portuenses – mas com alguém que me levasse aos centros certos, sem perder tempo.

Por enquanto, revisitei os lugares de três meses atrás. Agora com céu limpo e clima delicioso. Porto me encantou pelo seu jeito romano de ser. Diria que Lisboa está mais para um estilo grego (e amo a capital, tal e qual meus lares). Meus olhos faíscaram de louvor pelo pôr-do-sol alaranjado bem adiante da Ponte do Infante.

Horas anteriores, aproveitei o descanso dos ponteiros para o meu corriqueiro turismo futebolístico. Já é cena de praxe. Estive no Estádio do Dragão, de forte beleza azul, de imponência condizente com o que o FC Porto se tornou nos últimos anos. Chamou-me grande atenção, porém, que a duas estações da arena, passemos por um sítio chamado Heroísmo.

Oras, não consegui resolver lá o que tinha ido por dever. Pena que as burocracias desta vida – e, às vezes, de outras também – a encurte muito mais. Não sei se é perder, mas passei sete horas do meu dia em um ônibus. E tudo para, no momento do "sim", escutar um "não". É frustrante, ainda que a negativa nem seja para mim. Porém a absorvo.

Tive meu tempo, então, para pensar – e ler: O Ingénio, de Voltaire. Assim mesmo, com agudo no “e”, pois se trata da versão portuguesa. Quanto às diferenças para a língua-mãe, tenho aceitado com tranquilidade a língua-madrasta. Vale sempre aprender. O nosso maior prazer é o da descoberta.

O cansaço é tanto que podia escrever outras mil linhas, e contar-vos sensações que se passam comigo. Imagino quando lêem o que se interrogam. Perguntem, não se acanhem. Lembro dos amigos cá, e meu corpo repousa solitário numa saudade presente que não é do passado, mas do futuro.

Amanhã tudo recomeça. E escreverei mais e mais para abrandar as agonias e as ansiedades. Para cantar a felicidade e evocar a calma. Ou ainda: para tentar fazer com que os relógios parem – em meu tempo.

2 comentários:

Rachel Monteiro disse...

Existem pessoas dependentes de escrever. Meu Deus, ainda bem!

=*

Anabela da Silva Maganinho disse...

Com que então regressaste à Invicta. :) De facto, o Porto tem o seu encanto... espelha-se pelo pequeno Portugal, mas conquista-se por cada passagem. Não hão-de faltar oportunidades para cá voltares:) Quando quiseres visita guiada tás à vontade. O itinerário pode ser o que a "Bridge" adora ao evocar Rui Veloso. Então temos "quem vem e atravessa o rio, junto à Serra do Pilar, vê um velho casario que se estende até ao mar". É aqui que o itinerário começa, apartir daí é só seguires as ruelas e calçadas e deixares que o vento te guie. beijinhos miudo. o cansaço vai passar quando curares a saudade que sentes do Brasil