quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Crédito literário

Vou financiar o texto desta madrugada. Para isso, peguei emprestado alguns trechos de autores que admiro. Entendam a minha vontade incontida e efervescente de dizer algo...

Não ames como os homens amam.
Não ames com amor.
Ama sem amor.
Ama sem querer.
Ama sem sentir.
Ama como se fosses outro.
Como se fosses amar.
Sem esperar.
Tão separado do que ama, em ti,
Que não te inquiete
Se o amor leva à felicidade,
Se leva à morte,
Se leva a algum destino.
Se te leva.
E se vai, ele mesmo...
(Cecília Meireles)

Meu peito bate em um ritmo diferente, e confesso-me assustado. Há, talvez, peças enferrujadas nesta simples engrenagem.

Confie sempre em si próprio e na sua sensibilidade; se estiver enganado, o crescimento natural da sua vida interior conduzi-lo-á lentamente e com o passar do tempo a novos conhecimentos. Deixe que os seus juízos sigam a sua própria evolução silenciosa e impertubável que, como todos os progressos, obedece a uma profunda necessidade interior, não podendo ser imposta nem apressada.”
(Rainer Maria Rilke)

Mas não há mistério, e tomo o caminho. Plantei vastos silêncios e, agora, devo colher constante alegria.

Um caso de amor sem risadas constantes está tecnicamente morto. Não há orgasmos múltiplos que salvem um casal que deixou de rir. O bom humor precede o sexo como termômetro de um relacionamento. Quando e se o sexo arrefece, pode acreditar: as risadas arrefeceram antes. Rir é uma demonstração sublime, superior de sabedoria amorosa. No amor, o humor tem uma virtude lateral, mas relevante: o riso torna a pessoa mais bonita e mais atraente. A carranca enfeia. Uma mulher sistematicamente feroz como um cossaco russo é uma mulher para ser atirada na lata de lixo. Mesmo que seja linda e excepcionalmente dotada na arte do sexo. A beleza passa e o êxtase proporcionado por um grande momento sexual se mede em minutos, segundos até. Mas o mau humor de quem não sabe rir é duradouro.
(Fabio Hernandez)

Pois queria ir muito além do que posso juntar. Sentirei, assim. Basta-me.

Ela diz:
— Obrigada pelo que temos. Você me melhora.
Ele diz:
— E você me faz.

Nenhum comentário: