sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Na estrada (Parte II)

Em condição viável, troco qualquer viagem de avião por uma de carro. Seja a conduzir, seja a acompanhar. Nada substitui as boas conversas a fio, confinados no veículo – a ver passar paisagens diversas e pensamentos deveras. A vida é muito curta para a reduzirmos ainda mais.

Minha principal função na road trip portuguesa foi a de navegador. Mas também atuei como animador, contador de piadas e confuso-homem-de-idéias. São todos encargos vividos e repetidos por mim ao longo de 25 anos. Aliás, 2009 marca meu distanciamento dos 20 e aproximação dos 30. É emblemático – logo eu, que nunca imaginei crescer e sempre foi fascinado pelo mito do Peter Pan.

Envelhecer é inevitável. Já amadurecer (em todos os planos possíveis)... foi um dos temas abordados ao longo das tantas horas de papo. A 5 mil metros de altitude, tenho certeza, haveria menos tempo e paciência para travar assuntos profundos. É tal qual um “teletransporte”, como definiu o Joel. A gente entra e, puf!, sai em outro país, outro continente, outro universo.

Passar pelos cenários e avistar as mudanças de geografia, vegetação e construção é o que tem de autêntico numa viagem. Há quase um ano percorri o oeste gaúcho em direção a Buenos Aires. Nunca pensei que faria esse trajeto. Dois dias atrás cruzei o interior de Portugal e conheci vilas seculares, com suas muralhas e castelos, igrejas e ruelas. Formidável!

Na ida, visitamos Águas de Moura, Montemor-o-Novo, Arraiolos, Estremoz e Elvas. Cada um com seu charme, suas histórias. A passagem de ano foi em Badajoz, com vinho português, cerveja holandesa, frutos secos alentejanos, uva castelhana e companhia de gente dos mais distintos países. Até fizemos “contato” com um grupo de bolivianos.

A festa foi (quase) tripla. Como a Espanha está à frente uma hora de Portugal, celebramos a meia-noite por duas vezes. Até tentamos comemorar a terceira, pelo relógio brasileiro, mas as forças esgotaram-se. Badajoz: dos homens de terno, das mulheres de pernas de fora, dos bares que abrem pouco antes da virada, dos encantos mágicos e perigos prosaicos.

E de uma noite findada com los sueños en el coche.

2 comentários:

Drica disse...

Não vou nem comentar sobre a triste frase de se aproximar mais dos 30 em 2009... kkkkkkkk

intelligence disse...

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