segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Na estrada (Parte Final)

Amyr Klink, em Mar Sem Fim, foi taxativo: “Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livro ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu”. E por aí vai...

É verdade. Viajar vicia. Viajar cura a melancolia. Viajar revigora. Viajar espanta os males. Gosto da noção de descoberta em uma viagem; daquela sensação de plenitude, de se ver repleto de paisagens – exteriores e interiores. Viajar purifica a alma e enriquece a mente. Viajar conforta o coração.

Desde 2001 criei esse vínculo passional com as jornadas cujo término são meras formalidades. Quem viaja, não parte para chegar; parte para sair. O que me conquista nos adeuses – e já são tantos – é o que não se sabe que está por vir. O futuro é o acabar de luz num sítio desconhecido.

Isso que amo. Chamem do que quiser (um grande amigo – saudades, Matheus! – disse que road trip é americanismo demais, mas trata-se apenas de um signo, uma representação gráfica. Como ele mesmo ressaltou, importa o ato). Novas sagas estão sendo programadas, cada vez mais ambiciosas, cada vez mais profundas.

Às vezes, viajo parado. Ou viajo pelas ruas de Lisboa. Caminho sem pressa, a escutar conversas e percorrer vazios imensos. A observar com olhos únicos lugares mundanos, contemplar belezas femininas, lamentar disparidades horrendas. Viajo numa praça, num parque, na avenida movimentada da urbe...

O homem não foi feito para ficar quieto.

2 comentários:

jehoel disse...

Parabéns ao Cronista! Como sabes também adoro viajar, nem vale a pena elaborar. Mas a partir de um certo dia comecei a fazê-lo com o significado das seguintes palavras em mente, tenha sido quieto ou em movimento.

Sem sair da porta
Pode-se conhecer o mundo
Sem ver através da janela
Pode-se conhecer o Caminho do céu
Quanto mais longe saímos
Tanto menos conhecemos
Por isso, o Homem Sagrado
Conhece sem caminhar
Reconhece sem ver
Realiza sem agir

Capítulo 47

Tao Te Ching, Lao Tsé

materials disse...

You these things, I have read twice, for me, this is a relatively rare phenomenon!
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