quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Sobre o apartamento novo


Falei pouco – ou melhor, nada – sobre a casa nova. De fato, tenho deixado o que acontece lá fora à margem de apreciação textual. Chove, e faz um frio ameno – cá dentro também.

Mas sobre a casa, queria dar tempo ao tempo; passar a euforia que qualquer mudança instiga e ter condição de analisar o ambiente com os olhos da razão. Pretensão jovial. Isso nunca será possível. Mas, pela vivência, já sou capaz de dizer o que se tira de bom e de ruim na empreitada.

Mudou os ares. Isso é notório. Me sinto mais leve por não carregar os pesos de outras pessoas. Ainda mais por se tratar de pessoas que não têm vontade de crescer. Sou bom, tento ser melhor, vislumbro a paciência e a gentileza, mas há limite para tudo. E quando percebi que lidava com tipos difíceis numa fase em que busco a simplicidade, pulei fora.

Aliado à leveza, está a integração. São três companheiros neste apartamento – contra o dobro no outro, e mais um cachorro. Lá tinha o meu banheiro. Grande coisa quando se tem uma sala. Aprendi que a sala é um espaço importante quando se mora em grupo. É o ponto de convergência – e também de fuga.

A nova cozinha, apesar de mais velha e menos equipada, é mais espaçosa e acolhedora. As refeições ocorrem entre um e entre todos. Divide-se. Partilha-se. Dá-se. E tudo num clima amistoso e sereno – envolve dinheiro, entre pessoas que trabalham duro para juntar algum, porém isto parece aproximar mais que distanciar.

Pago menos aqui que lá. Tenho, talvez, mais despesas, por ser impossível rejeitar vinho numa noite em que chego do trabalho ou um jantar após a aula. Acontece – é o que chamam de socialização. E uma socialização benéfica, fortificante, enraizadora. Vivo com um brasileiro (de Recife), um português e uma italiana. Ótima troca de cultura.

Então, agora falei sobre a casa nova. E espero só contar bons casos.

Um comentário:

Sandoval disse...

Saber dividir e compartilhar é um dom que poucos têm. Fico contente em saber que você gostou da nova morada e que as pessoas sabem dividir e compartilhar espaços, respeitando a individualidade de cada um.

Beijos mil.