terça-feira, 13 de janeiro de 2009

As belas e o feio

Sim, sou incapaz de um oi, um boa tarde, um sorriso simpático que seja a uma mulher deslumbrante. A simples presença do lindo rosto feminino me embaraça de tal maneira que as mãos suam e o coração acelera. A beleza espanta meus pensamentos lógicos. Fico estático e patético, manobrando um jogo infantil de olhares: desvio o meu quando ela olha, e volto a fitá-la quando seus olhos se perdem n'outro lugar.

Ao mesmo tempo em que me mostro dócil e acuado, como um vira-lata das películas em Nova York, tenho alma de passarinho que vai cantar em janelas alheias. Para a mulher comum, talvez nem tão linda, mas com charme, distribuo olhares penetrantes e sorrisos elásticos. De graça. E vejo em seu rosto a satisfação de tamanho altruísmo. Há de se dizer que sou um Betinho do flerte, uma Madre Tereza de Calcutá da paquera.

Bobagem. Vislumbro a beleza exótica. Sou fascinado por ela. Prefiro cem vezes, mil vezes, a mulher com um algo a mais que o físico, um élan transcendental, o je ne se quois, àquela mulher triunfante, de parar o trânsito. Dir-se-ia que o maior desgosto do feio não está em sua condição de ser feio. O feio se ressente é de como ele é visto pelos outros, e o quanto isso diminui a possibilidade de conquistar uma mulher bonita.

Mas não é meu caso – dizem. Sou do tipo razoável. Às vezes, sob pouca luz e a roupa correta, consigo me passar por bem-apessoado. Se sou feio, o sou internamente. Nas minhas entranhas, no meu âmago. Um feio do estilo patinho, da estirpe do corcunda.

Feio, sim, de conteúdo. Dr. Jekyll que esconde Mr. Hyde nas profundezas.

(Este texto foi escrito em 6/9/2008)

Um comentário:

Luciana Lopes disse...

Você é um ser adorável. Mais belos, já vi aos montes porém mais cultos e mais senssíveis, foram raros os que eu vi como tu Gustavo. Tua beleza jovem escritor, vai muito além do que uma fotografia consegue revelar.