segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Agora posso escrever


O que vocês lêem é incomum. Raramente um texto nasce já sabendo seu nome. Este título eu manufaturei quando as palavras não existiam. Nem mesmo em idéia. Cheguei em casa esgotado após três dias cansativos de labuta, me sentei em frente ao computador para ver os e-mails e... pronto, estava criada a chamada.

Nada criativo ou inspirador. Mas, vá lá, diz um pouco do que será este post. Um pouco para relatar que, finalmente, consegui aquietar. Trabalhei sábado até 23h e depois saí para a casa de uns amigos. Foi uma noite propriamente brasileira: cerveja, cachorro quente e brigadeiro. O saldo: dormi às 3h para estar de pé às 8h30 – pronto para bater o ponto às 10h.

A pesada jornada de domingo começou com a máquina de café leeeentaaa. Assim que ergueram-se as cortinas da cafeteria (lê-se toldo), lá estava a platéia ávida (lê-se os clientes) pela nossa performance (lê-se cafeína). No entanto, tiveram de esperar inquietos. E, para piorar, uma colega moçambicana soube da morte do pai – que ela não via há nove anos, por não ter dinheiro para visitá-lo. Vida de imigrante...

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Às vezes me irrito comigo. Às vezes, vírgula: sempre que me pego a pensar em rotina. Não a rotina inevitável da música do Chico Buarque. (Todo dia eu só penso em poder parar/Meio-dia eu só penso em dizer não/Depois penso na vida pra levar/E me calo com a boca de feijão...) Falo da rotina frenética de uma massa sempre a correr, sempre ocupada, sempre taciturna.

Às vezes, entre essas pessoas, me pego a caminhar às pressas, sem saber muito bem se desejo chegar rápido ou fugir com ligeireza. É quando paro com essa pseudo-eficiência urbana e me ponho a ser a jangada que desliza despreocupada pelo mar turbulento.

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Deixei a seção “Curiosidades lisboetas” de lado. Sabe-se lá o porquê... (Eu sei, e tem a ver com o fragmento acima). Mas como pediram para eu retomar, retreinei meu olhar. Há algumas coisas que preciso anotar, senão perco o fio da história. Em breve, a versão 2009.

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As aulas vão para as duas últimas semanas. Em fevereiro termina o semestre, há uma pausa de 25 dias e regressamos ao mestrado em março. O saldo destes primeiros seis meses é normal: nem euforia, nem frustração. Até porque não criei expectativas. Meu aprendizado, sempre repeti como um papagaio monocórdio, está além dos muros da faculdade.

E, para esse, tiro um diploma a cada dia.

Um comentário:

Vera disse...

Ahhh... Uma boa notícia. Pensei mesmo que já tivesse sido descartada.
Ficarei à espera da tão desejada "curiosidades lisboetas" =D