terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Um rio que deflui


Pedem notícias. Notícias minhas d’além mar. Até mesmo quem está deste lado do Atlântico solicita que eu apareça. De fato, é esquisita esta fase que passo. (Será mesmo uma fase? Apenas isso? Sim... afinal, sempre é).

Os dias correm, situações ocorrem, vidas decorrem e pareço estático. Todos estudaram Física e lembram da tal explicação da inércia. O professor citava o exemplo do sujeito, parado, dentro do ônibus a 50 km/h. Tudo lá fora é movimento; aqui dentro é estagnação.

Pedem notícias. Apesar dessa sensação, estou bem. Lisboa ajuda a estarmos bem. É uma cidade com opções maravilhosas de distração. Desde andar na rua – nesta época, sob o vento cada vez mais gelado do inverno que se aproxima – a visitar galerias, espaços, centros comerciais.

Já se foram dois meses e meio e parecem anos. Praguejaram sobre os portugueses – “eles são isso e aquilo”. Que nada. A generalização é burra. E muito injusta. Há pessoas simpáticas e pessoas intragáveis aqui como há em qualquer canto deste vasto planeta. No contato do dia-a-dia, da faculdade e da cafeteria pude observar inúmeros tipos. A gente gosta mesmo é de se fazer vítima.

Tenho treinado a concentração. Os fatos externos devem me abalar cada vez menos. Minhas angústias alimentam-se de problemas originais e autênticos. Aliás, qualquer preceito deve-se partir da autenticidade... é essa a minha busca natural. De que vale o amor se não for amor, e apenas um simulacro?

Um amigo veio dizer que a sinceridade por vezes machuca. E questiono: é por isso que vamos abdicar dela? Nunca. Podemos, quem sabe, esperar o momento certo – e quando saberemos que o meu momento certo é o momento certo do outro? Teorias... na prática, as coisas são mais mundanas.

Eu quero sentir. Sem significar. Desejo me apaixonar a cada 15 minutos – e não somente pelas belas mulheres, mas por paisagens, idéiais, sonhos, emoções, caminhos, lugares, pessoas, vontades, comidas, motivos. E concretizar toda essa paixão, de modo que minha trajetória seja um rio que deflui macio e desagua no mar de serenidade.

Um comentário:

sandoval disse...

Continue sempre inspirado e disposto a compartilhar os frutos dessa inspiração.

Gostei... parabéns!

Beijos mil.