sábado, 6 de dezembro de 2008

Sobre Natal, Réveillon e poesia

Época de união e solidariedade. É assim quando nos aproximamos do 25 de dezembro. Me perguntam onde vou passar o Natal e respondo: “Juro que não sei”. Pode ser em qualquer lugar ou em lugar nenhum. Não é revolta pela data, rebeldia pela exploração do mercado. Ah, passei dessa fase – a gente se torna menos azedo ao longo dos anos.

A dúvida é porque nem pensei mesmo que em 2008 teria estas coisas. Desembarquei no Velho Mundo achando que um Novo Ano já havia inciado. Mas tempos depois ouvi as pessoas falarem de réveillons em Roma, Paris, Madrid, Londres, Vladivostok. E se viravam a mim para saber onde comemoraria a passagem. Err... Lisboa? Pode ser?

Por alguns minutos houve a possibilidade de confraternizar o Natal no Porto. Por alguns dias houve a possibilidade de festejar a virada em Sevilla. Porém vai ser por aqui mesmo, sem a perda do fator “novidade”. Tenho de viver a cidade em sua totalidade. Que venha 2009!

***

Andei distante da poesia. Não propriamente por desgaste ou asco. Já disse – e se não disse, digo agora – que os versos são minha religião. Ou melhor, minha fé. Hoje relia poemas que escrevi e me reconectei com “eus” anteriores. Aliás, que se escondem e reaparecem.

Em abril inaugurei um blogue de rabiscos poéticos, e a intenção era mantê-lo incógnito. Para uma ou outra pessoa eu indicava o endereço. Para os desconhecidos, o cartão de visitas era mais distribuído.

Ou seja, não o queria divulgar de boca cheia – mas também nunca rejeitei o filho. Hoje acordei com vontade de gritar poemas ao mundo e a força que me impele a dividi-los com todos é enorme: Inutensílio do Mundo. Não que sejam bons versos, mas são feitos com autenticidade.

Um comentário:

sandoval disse...

Se fosse Bocage, em Vidas Vãs, com certeza escreveria:

Fiquem com a verdade
De suas vidas vãs
Vou vagar com as vagabundas
De peitos vastos
E voltarei viril
Vacinado contra virtudes
Vigiado por quem as viu

Parabéns! gostei...

Beijos mil