quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Porto, a Londres lusitana


“Acho que houve um engano, senhor. Comprei o bilhete pro Porto e vim parar em Londres.” Mas ele respondeu em português e percebi que estava tudo okay – ou melhor, ôquei. Apesar da chuva fina, da neblina insistente e de todo o clima bucólico típico da capital inglesa, desembarcara mesmo no Porto. Para ser mais específico, na Praça da Batalha.

O local tem uma imponente estátua de Dom Pedro V e, ao redor, o Teatro Nacional São João e o abandonado Cine Águia. Os dois edifícios são parecidos: antigos e magistrais. A cidade está toda decorada para as festas de Natal, entretanto confesso que os pingos doces atrapalharam uma melhor contemplação.

Porto é simpático em sua enorme pequenez. Me pareceu uma minimetrópole – e foi isso mesmo que confirmou um carioca que conheci no metro. O botafoguense morou entre fevereiro de 2007 e deste ano na freguesia de Campanhã, próximo ao Estádio do Dragão. O escasso tempo e, mais uma vez, a intimidante chuva não me deixaram visitar a arena do FC Porto.

Fiz um bate-volta para levar os documentos de um amigo – Rui, ilustre visitante deste espaço – que solicita a equivalência do diploma de Medicina na Universidade do Porto. Em meio ao calhamaço de papéis, faltou o atual Programa de Pós-Graduações e Mestrados da UnB. Um detalhe que valeu a recusa do recebimento do pedido.

Essa burocracia vai se tornando parte do cotidiano. Ontem fui renovar meu visto de estudo/residência no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), mas também não pude. Devo voltar a 30 de dezembro com o contrato original de arrendamento do apartamento onde moro. “Só” tinha a cópia. Paciência. Melhor dançar conforme a música que ser expulso do baile.

Engraçado que a rápida viagem me deu uma saudade de Lisboa...

3 comentários:

sandoval disse...

Quando fizemos um tour por Portugal, sua mãe, tia solange, tio Ico e eu, passamos pelos arredores de Porto, a caminho de Braga. Era final de tarde, um trânsito horrível e bastante chuva. Não gostei e pensei: cidadezinha feia, sem graça...

Passamos direto. Tempos após, li sobre a cidade e vi fotos. Triste avaliação...

Fizemos uma avaliação pela periferia, que é horrível, como alguém que conhecesse o Rio de Janeiro somente do Aeroporto até a Av. Brasil.

Lamento até hoje a falha, a avaliação errônea...

Lendo, agora, seu texto, meu arrependimento aumentou ainda mais.

Contudo, acredito que ainda serei brindado com uma outra oportunidade e, com certeza, conhecerei Porto em sua essência.

Beijos mil

LAG disse...

bem, como já te disse, vou mais com a cara do porto. e, veja só, a saudade do brasil* já se transformou em saudade de lisboa.

* óbvio que ela ainda deve existir, mas não deixa de ser interessante essa mudança.

abraço, guss

ps: esperando mais notícias do porto, hehe

Jorge disse...

Coincidência: estive há umas semanas no Porto, e reparei também no cinema abandonado. A completar o irónico graffiti «Noite na Terra», um «A seguir: E Tudo o Rio Levou». O Rio é o Rui Rio, actual presidente da câmara (prefeito) do Porto.

Abraços,
Jorge Rosa