domingo, 28 de dezembro de 2008

Feridas do tempo

A parte física não está muito bem. A começar pelos pés. A unha do dedão direito encravou. Isso não é coisa que se diga num blogue... mas encravou, oras. E tenho de relatar a verdade, nada mais que a verdade, toda a pura verdade. Correto?

Pois bem. Dói pouco. Quer dizer, mais incomoda. Só que deixemos a unha pra lá, até porque já gastei linhas demais pra decorrer sobre um problema tão reles. É que a velhice se aproxima – e repetir as coisas é um indício claro. O outro sinal aparece nos joelhos.

As juntas têm sentido o vaivém, o sobe-desce, a maratona na cafeteria. Também, dirá um amigo, estou sempre de all-star... e convenhamos: o calçado não contribui. Sem amortecedor, o impacto nos joelhos é direto. (Consciência eu tenho, eu tenho. Juro que vou me disciplinar e largar o tão querido modelo de tênis.)

Então vamos pras mãos, porque dos joelhos aos ombros tudo está a funcionar perfeitamente. Já meus instrumentos de trabalho andam judiados. Uns esfolados aqui, uns arranhões ali. Meu dedão é que experimentou algo mais profundo: um corte. Nada tão grave assim. Enquanto limpava o lixo, um caco de vidro perdido rasgou a pele.

Sou fraco com sangue. Corrijo: com meu sangue. Descobri isso em 2005, quando o box do banheiro “explodiu” bem em cima de mim. Cortou-me o pé, e ao ver aquele poça vermelha descer o ralo, o mundo começou a apagar. Sim, caros, desmaiei. Ontem também titubeei.

Está certo, isso não contribui em nada para minha fama de machão. Mas como nunca tive uma mesmo – e a fama tende a trair o afamado –, estou tranquilo. Achei que a primeira vez seria única. Descobri que o tempo passa e o nosso corpo desenvolve cada vez mais fraquezas. (Como a minha dificuldade em digerir torresmo. E logo eu, que adoro torresmo!)

Pelo menos a cabeça segue boa. Creio eu. O coração está pleno – e não só no funcionamento fisiológico. Também não há nada a reclamar da alma. Mantém-se leve e receptiva. Meu calcanhar-de-Aquiles tem sido a parte física. Mas dou um jeito nisso... talvez os anos passem mesmo com muita rapidez.

3 comentários:

Luciana Lopes disse...

É.....a idade vai chegando mesmo porém,pelo menos na minha visão, tudo é acúmulo de experiências. Hoje, já não enxergo mais a garotinha cheia de sonhos de alguns anos atrás como também não consigo mais enxergar a adloescente irresponsável que só queria saber de festas. Curto a minha idade,o meu momento e as minhas dores. Curto viver é isso me basta. Curto, só curto, pois a vida é curta. Nenhum momento é longo.

OBS: vc sumiu do msn. Bem que podia aparecer né?

jordan shoes disse...

cool blog

superior disse...

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