quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Então é Natal?

O Natal... Ah, o Natal... que época chata! Tumulto nas ruas, cantigas idiotas e aquele vago espírito renovador: tudo um grande pé no saco – que me desculpem pelo termo chulo. Estou ácido – e um bocado divagador. “Então é Natal... lá-lá-lá”.

Acho bonito e engraçadinho as duas miúdas que fizeram uma capela com canções natalinas à porta do café. Estavam desafinadas, é verdade, mas depois desejaram um bom dia e ótimas festas com aquele fulgor infantil. No entanto, em linhas gerais, acho essas letras e melodias irritantes.

Seja em português – entendo tudo –, em inglês ou espanhol – entendo mais ou menos –, em italiano – entendo pouco –, em francês ou alemão – não entendo bulhufas! –, elas soam como uma ode ao nada. Quer dizer, se até fosse ao “nada” ainda seria válido. É uma ode a tudo: solidariedade, amor, felicidade, afeto, respeito, amizade, carinho, blá, blá, blá...

Parecem-me temas negligenciados, olvidados, descartados, escarniçados, polvilhados, vilipendiados ao longo do ano (uau, que vocabulário! Obrigado, pai-dos-burros). Ou só lembrados agora. Do tipo: “tá bem, tá bem, fomos uns parvos nos 355 dias, mas agora vamos evocar as emoções boas e nos comportar de maneira agradável, vai...”.

Sei que não é assim e estou a dramatizar um tantão. Desculpem entrar de sola no assunto. Não é mau humor ou inveja de algo. Não é ingratidão por não ter ganho presente do Papai Noel – e me comportei tão direitinho... Nem ao menos recrimino que cantem, gravem, produzem, toquem, dancem, remixem essas canções triviais. Sou a favor das liberdades de criação e expressão.

Porém, nada me tira a certeza de que podíamos facilmente viver sem o excesso de humanismo excelso. Né, Celso? Então cesso aqui. (Ia citar as aglomerações desumanizadoras por conta das compras e outros recheios natalinos que me embrulham o estômago, mas decidi poupá-los. É meu singelo presente. Senão vocês me acharão um daqueles ativistas anticonsumismo encolerizados... Não carrego bandeiras. Elas pesam e pendem.)

De qualquer modo, bom Natal! Aproveitem a reunião familiar, os amigos e a comilança. Optem por CDs bacanas, por favor. E, depois do 24/25 de dezembro, se encham de esperança – pois um novo ano vem aí... igual ao anterior, mas diferente.

5 comentários:

Vanessa Amaral disse...

Muitas coisas boas pra você neste Natal e Ano Novo!! Que as companhias lusitanas minimizem um pouco a saudade da terra natal...

Abraços,

Van.

jehoel disse...

Padawan!

Em relação ao teu texto… Ámen!

Se eu fosse Profeta então diria o seguinte: Não te espantes se ainda viermos a viver uma Era onde todos os dias serão o Dia de Cristo. Sendo Cristo a Luz no Coração de toda e qualquer pessoa, Aquela capaz de fazer os Milagres acontecerem!

Um Abraço!

Luciana Lopes disse...

Eu juro que não copiei o título do seu texto. Como sempre faço, entro no meu blog, publico o meu texto e depois vou navegar nos outros blogs q eu gosto tanto como o seu.
Engraçado. Dois textos com o mesmo título(o que muda na verdade é só um ponto gramatical)com duas visôes parecidas ( ã de não gostar de natal) mas com contextos totalmente diferentes.
É essa a graça da vida. Sermos iguais e ao mesmo tempo diferentes.
Bem, mesmo não gostando de Natal, te desejo um monte de coisas boas e se o Bom Velhinho realmente existir, que ele traga em seu enorme saco um novo ano repleto de realizações.
Bem melhor do que um rolex de ouro não acha?

Júlia disse...

que chato!
Mas eu também me irrito com esse papo de é natal! Espírito disso, daquilo e isso outro. O único espiríto que me desperta é o do consumo, e isso é uma droga pra minha CC.
Pelo menos, eu gosto das musiquinhas natalinas! Elas são fofas.

nike dunk disse...

where you come from!