quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

É bom!


É bom caminhar à noite sem rumo e em agradável companhia. Ainda mais vigiado pela lua cheia. O frio trava os músculos, os termômetros marcam 10ºC, a sensação é de menos – inclusive, sente-se o sangue gelado percorrer as veias.

É bom escutar as raparigas dizerem "bocadinho" em meio às suas conversas. Uma delícia auditiva. Observar como se vestem elegantes no inverno, e como são tímidas nos seus disfarces a um olhar contemplativo – fingem não ligar, tão mal atrizes quanto as da novela local.

É bom comer chocolate amargo e ouvir Chet Baker & Art Pepper em Resonant Emotions. Parece nos ensinar que os problemas são apenas acordes mal-tocados. Se a gente descobre uma forma de reordená-los, a confusão transforma-se numa bela melodia – às vezes a trilha sonora de uma época.

É bom receber um sorriso agradecido de um cliente. Mais que uma gorjeta polpuda, anima saber que a correria de um lado pro outro, o intuito de atender com eficiência e a pressão psicológica que desgasta podem ser reconhecidos com simpatia – a gente sorri pouco, com receio de parecermos tolos ou interesseiros.

É bom ler o e-mail da irmã, o recado no messenger da mãe, o comentário no blogue do pai. Mesmo que a vontade de abraçá-los seja enorme, sei que esse escasso contato à distância nos aproxima muito – quem sabe mais que se estivéssemos a alguns metros agora.

É bom voltar a cozinhar. Almoçar arroz e feijão com frango – e depois lavar a louça em água quente.

É bom ter meus livros de novo comigo. Até porque posso sublinhar trechos, dobrar cantos de páginas, fazer anotações – sem contar que as dedicatórias são memoráveis.

É bom planejar viagens para a próxima semana e para fevereiro. Ser perguntado para onde vou após o mestrado e dizer "não sei" – ou responder "Buenos Aires!", para surpresa do interlocutor.

É bom sentir. É bom se curar. É bom aprender. É bom se alongar logo cedo. É bom assistir futebol. É bom ajudar. É bom ser ajudado. É bom escrever.

É bom crer que amanhã será melhor que hoje.

2 comentários:

Sandra disse...

É bom ter você e a Drica como filhos.
Beijos, beijos, beijos...
Te amo.

sandoval disse...

E é bom sentir saudade, porque aumenta o prazer e a alegria do reencontro.

Mas o melhor de tudo, como sua mãe escreveu, é ter você e a Drica como filhos, é poder compartilhar do crescimento físico e intelectual de vocês, é sentir orgulho de ser seus pais.

Beijos mil.