sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Sobre termômetro e paixões (ou frio e quente)


Agora sim começamos a falar de proximidade do inverno! Pela primeira vez nestes 40 e poucos dias, a temperatura cá ficou em um dígito. Suportei bravamente – com uma camiseta, dois casacos e cachecol – os 8° da rua. Tende a cair ainda mais...

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Sempre fui homem de paixões reprimidas – ou escondidas, se preferirem. Ao mesmo tempo que a covardia me impede de anunciá-las, a poesia as canaliza. Drummond afirmou que o único amor possível é o impossível. Oscar Wilde defendeu que o mistério do amor é superior ao mistério da morte. Pessoa escreveu que amar é não pensar, e não pensar é a verdadeira inocência. Já Rainer Maria Rilke apontou o seguinte caminho:

Amar não tem de início nada a ver com abrir-se, entregar-se e unir-se a uma outra pessoa, é antes uma ocasião sublime concedida ao indivíduo para que ele possa amadurecer, tornar-se qualquer coisa dentro de si, tornar-se mundo, tornar-se mundo para si em nome de um outro, é um imperativo grande e imodesto que faz dele um eleito e o chama para a distância.


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Lisboa é cidade de mulheres agradáveis e bonitas, mas bué difíceis. Se a paquera já costuma ser um jogo de quebra-cabeça, por aqui existem mais peças que o usual. Tudo começa pelo olhar – e é onde termina também.

Raramente elas retribuem o flerte. Não é porque não gostaram de serem apreciadas; é por conta de uma certa “culpa católica”. O prazer da carne é um desejo pecaminoso. Às vezes a situação chega a ser divertida: ao cruzar com uma bela mulher, olho bem fundo nos seus olhos. Ela nota e disfarça. Fico à espera de um sinal – uma virada de rosto ou algo assim –, mas não o recebo. Ainda assim, dá para perceber o impacto.

Uns amigos relataram o costume local dos “10 cafés” (óbvio que há exagero no roteiro). Dizem que para arrematar uma portuguesa é necessário paciência de Jó – traduzida nas intermináveis 10 saídas. Bom, isso para se ganhar um beijo...

Desconfio que o verbo ficar não seja tão conjugado cá quanto no Brasil. Será isso uma valorização feminina ou influência da Igreja e dos valores tradicionais/conservadores? O certo é que os “zucas” (da abreviação de “brazucas”) não têm lá uma fama muito boa nesta terra. Pior ainda são as mulheres tupiniquins – os adjetivos vão de fáceis a putas.

4 comentários:

Júlia disse...

bah...
Gostei do emprego do bue, hein? heheh
beijos e quero saber mais histórias do café

Anônimo disse...

Olá...

Fico aqui apreciando suas experiências no velho e mundo e contando as horas para saber como serão as minhas.
Sinto um misto de euforia, medo ansiedade.. sei lá é tanta coisa que até me perco!!!! rsrsrrsrsrs
É bue d++++ ler seus relados sobre além mar
Bjim
Um ótimo fim de semana.hehehehhe digo de trabalho

Joice Mendes

LAG disse...

po, gustavo... pelo que vc diz, e pelo que ouço de gente de fora, nenhum país conjuga mais o verbo "ficar" (ou equivalente na língua em questão) do que o brasileiro. isso, nesse sentido, inexistente em muitos lugares até.

10 cafés? fica a impressão de que ainda tem muita mulher aí que casa virgem (nada contra), ou a coisa é a (im)pressão social?

[como eu lhe invejo pekla temperatura. agora encaro coisa de 30ºC, hehe]

Luciana disse...

Ahhhhhhhhh........esse eu já li. Pensei q fosse encontrar um texto novo.
Beijos e boa semana pra vc.