terça-feira, 25 de novembro de 2008

Pátria que me pariu


A temporada em Portugal tem me ensinado muito sobre o Brasil. Não é por conta da ligação afetiva, das raízes históricas e esse blá-blá-blá todo que a gente fala e escuta – e nem precisa pisar cá para compreender.

O que Portugal ensina é o que eu poderia encontrar aí mesmo em território tupinambá, seja no Enecom (Encontro Nacional dos Estudantes da Comunicação), no carnaval de Salvador ou em Copacabana: a diversidade de conterrâneos. Já conheci gente de tudo quanto é canto do país, de Fortaleza a Porto Alegre (versão diminuta do Oiapoque ao Chuí).

Para começar, o casal que me “adotou” – Daniel e Soraya – é pernambucano. No mesmo apartamento, moram a gaúcha Juliana e a mineira Camila. O quarteto arrematou as amizades do Duda, fiel representante de Curitiba, e do Vitor, natural de Piracicaba.

Ainda do interior paulista, há outra Juliana, de Ribeirão Preto. A Rebeca, colega de curso e de casa, veio do sítio mais “próximo” daqui: Fortaleza. O Ismael, brasileiro que também divide a moradia, nasceu em Governador Valadares, cresceu em Vitória e estava em Brasília. Já a Luzia deixou o sufocante calor de Cuiabá pelo clima aprazível de Lisboa.

A Thaís e o Rafael, ambos cariocas, eu conheci rápido – em entrevistas de emprego. O Marcelo, terceiro mineiro da parada, assiste à aula de sexta. Atendi a uns brasileiros no café – famílias, casais, solitários viajantes –, e todos eles, posso afirmar, vinham de lugares distintos.

Bom saber que meu objetivo de absorver ao máximo o ambiente cultural português e europeu ganha uma nova e instigante dimensão. Milhares de quilômetros longe do Brasil, aprendo mais sobre a pátria que me pariu.

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O que tem de chinês aqui não está no gibi. E de indiano também. Às vezes, parece que quem fala português é minoria.

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