segunda-feira, 17 de novembro de 2008

%$#%&$ internet!

Não pensem que o trabalho venceu a batalha e me fez de refém durante o fim de semana. Produzi tal qual nos tempos do ócio, o longínquo e áureo período de ficar de pernas pra cima. Foi a dona internet, essa mesma, que resolveu folgar no sábado e no domingo, ora pois! Passei os dois dias a brigar com a conexão banda larga da Zon TV – ou seja lá como chama.

Tudo bem que o serviço se mostrou capenga em um mês de uso, mas agora ele superou o recorde olímpico de ineficiência. E continua mais pra lá que pra cá... Verdadeiramente aconselho aos visitantes do blogue entrarem na justiça por danos morais à não-publicação dos textos. Nem é tanto pelo conteúdo; pensem no dinheiro – e lembrem-se de mim.

Escrevi algumas coisas que a validade expirou. Deixa guardado. Uma noite reativo as idéias.

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Depois desse rodeio, vou falar do horário de descanso na cafeteria. Descobri a melhor maneira de usar a pausa obrigatória e merecida. A primeira metade da hora faço a refeição na própria loja.

A gente tem direito a tudo: da pastelaria variada aos sanduíches e torradas; do espresso ao chocolate quente e capuccino. De barriga cheia, vou à livaria Bertrand, escolho um bom livro e relaxo numa confortável poltrona preta. Como Quintana sugeriu: o chá é mais espiritual e o café, mais intelectual.

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No domingo diversifiquei. Dei uma volta no Centro Comercial das Amoreiras e sentei em um banco fashion do passaredo, verde e amarelo, ondular e incômodo. Sentei perto de um senhor que dormia feito neném.

Enquanto ele sonhava de olhos fechados, eu o imitava desperto. Mas nem era bem um sonho que tinha – foi mais um devaneio. Fiquei a observar os casais que passeavam e uma convicção me abateu, feito pedra de estilingue num cambaxirra: é preciso muita afinidade, muita empatia, muita sintonia e muito conforto para querer a vida ao lado de alguém.

Casados, namorados, pretendentes iam e vinham nos corredores cleans do shopping, e vi pouco – ou quase nada – de amor. De amor como o evocam: singelo e espontâneo. Tinha paixão dos recém-ligados, carinho do companheirismo, responsabilidades de família. Mas minha análise é leviana e distante – ou então o amor é apenas tudo isso.

O que me derrubou foi pensar no meu caos. Digo, caso. E emergiu aquele misto de certeza e medo, esperança e inquietação, vontade e dúvida. A gente simplesmente sente, desde o início, que pode passar o resto da nossa trajetória com outra pessoa ou o laço na saúde e na doença é firmado dia após dia, após dia, após dia?

Eu já tenho a minha resposta. O senhor a cochilar no banco também.

4 comentários:

sandoval disse...

Relacionar não é apenas ter outra pessoa ao lado que supere nossas carências.

Da mesma forma que não sabemos explicar (pensamos que sabemos)as nossas amizades, a razão da afinidade existente e dos objetivos em comum, assim também ocorre com o romance, o amor...

A diferença é que no romance e no amor existe uma atração física, o que é importante, em que pese algumas pessoas acharem que o reconhecimento da atração física não pode ser propagada, sob pena de interpretação errônea.

Na verdade, é necessário primeiro aprender a se conhecer para, depois, conhecer alguém, sem pressa ou precipitação.

Muitas donzelas sonham com o princípe encantado, montado num cavalo branco. Casam e depois de um certo tempo o princípe some e só fica o cavalo... pangaré.

BEIJOS MIL.

Luciana disse...

Como já dizia o poeta: ´´Que seja infinito enquante dure.´´
Uma vez, li um texto da Mayara num desses jornais simples aqui de Bsb que dizia: ´´amor é para poucos.´´
Sabias palavras.
Eu,no auge dos meus 21 anos tenho a certeza que encontrei o amor, o verdadeiro e tenrro amor, como a alma tem que ser. Vivemos um para o outro, como dois bons amigos ou quem sabe, como ex amantes.
Somos cumplices e isso basta para nos amarmos, mas de um jeito nada convencional......... Ás vezes o convencional é chique em outras, como no meu caso, brega.
Já não observo e nem sonho mais com o amor. Sei que ele existe e essa existência é o que me move para acreditar que poderei novamente amar.

Rui disse...

Pois é, o amor e seus mistérios. Passamos por muitos amores e o mais incrível é que podemos encontrá-lo em qualquer idade e assim ficamos brega e escrevemos para nossa amada:
"Um dia lindo para você, que é a mulher que eu amo,
> que penso todos os dias ao deitar e ao raiar do dia,
> que a santa astuta arranjou esta vaga no seu coração
> e no meu, colocando brilho de estrelas nos nossos olhos
> e botando risos de criança nos nossos lábios,
> colocou sonhos nos nossos sonhos e esperança na nossa vida."

Gustavo Jaime disse...

Mas que honra ter participações tão expressivas neste modesto blogue. O Rui abriu ainda um precedente "perigoso", pois vou cobrar de outros visitantes o mesmo: o de publicar criações literárias próprias.

Muito bom saber que os leitores, aqui, são de altíssimo nível. Fico lisonjeado. Abraços a todos e ótima semana!