quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A grã-fina de Nelson e os vizinhos barulhentos

As crianças... ah, as crianças são tão lindas no frio. Saí cedo porque sou bem masoquista e quis enfrentar o gélido clima de Lisboa às 8h30. É o horário de os pais largarem os miúdos na escola ou na creche. Todos com roupas bem quentes, das mais clássicas às mais modernas.

Uma menina, perto dos seis anos, desfilava com um sobretudo azul que deixaria a Gisele Bündchen com uma inveja danada. Outra, mais nova, mais loirinha e com um corte superestiloso, tinha a meia-calça (ou segunda pele) em tom vinho. O tênis all-star branco e a saia jeans completavam o visual fashion.

Minha manhã foi mesmo de “garota”. Depois das observações de moda infantil, fui aprender sobre perfumes. Ou melhor, em como trabalhar numa perfumaria. Coisas de quem está desempregado. A palestra de formação – a respeito de marcas e frascos, abordagens e posturas, roupas e modos – foi gerida por uma típica personagem de Nelson Rodrigues.

A senhora, muito chique e requintada, me fez recordar nas três horas de blá-blá-blá a “grã-fina das narinas de cadáver”, que perguntava no Maracanã lotado quem era a bola. Sim, ela tinha um nariz distinto, curioso, de esqueleto. Deve ser sobrinha, filha, neta... algum parentesco com a musa inspiradora de Nelson.

Por falar nele, minha dissertação será sobre a relação de suas crônicas esportivas (ou crónicas desportivas) e a literatura. Já comecei a me debruçar no tema e em breve posso felicitá-los com uns trechos. Aliás, peço serenidade de todos que visitam este espaço: vai ter uma época em que não falarei n'outra coisa que não nesse bendito trabalho. Paciência.

Outro porém de Nelson me veio à tona agora, por conta dos vizinhos de cima. Ele deve bater nela! Ora, não se espantem. Como escreveu o Anjo Pornográfico, «toda mulher gosta de apanhar, o homem é que não gosta de bater». Ou então os resmungos abafados, os gemidos incontidos, os gritinhos agudos são porque o gajo larga a tampa do vaso sanitário levantada, deixa cerveja cair no sofá, reclama da sogra... Tudo isso sempre à noite, em torno de 22h.

Estranho, né?

5 comentários:

Luciana disse...

Excelente tezto. Daqui a pouco, ao invés de jornalista será consutor de perfumes. Vamos montar uma empresa? Eu, como biomédica, fabrico os perfumes e você, analisa as notas e os vende. Acho que poderemos ficar ricos......rsss.
Grande abraço.

Raquel disse...

"resmungos abafados, os gemidos incontidos, os gritinhos agudos". Tem certeza que é briga? Hehehehe!
Beijos

Gustavo Jaime disse...

Raquel, o que quis insinuar com isso? Hehehe. Beijos!

Raquel disse...

Acho que ela - assim como todos nós - está "envelhecendo". OU em busca de. Sacou? :)
Beijos

Bembi disse...

Não pude deixar de iamginar a minha menina, andando pelas ruas européis, trajando uma bela roupinha de frio. O contraponto de um cenário antigo, com a novidade que ela é, do alto de seus 3 anos. Eu ia falar no Nelson, mas fiquei imaginando a cena e me perdi.

Um beijo