segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Tumba de Pessoa

As coisas estão em ordem na nova terra. Minha senhoria – a dona do apartamento – é de uma simpatia e tanto. Voltei agora pouco de sua morada, onde fui pegar um comprovante de residência para agilizar uns papéis por acá.

Na casa há um monte de fotos. Seus filhos e netos estão em tudo quanto é parte. Não sei bem quantos são, mas ela tem um orgulho danado do clã. O marido, Alberto, deve ser seu segundo casamento. O sósia de Hebert Vianna é mais novo que Inácia, e também um português carismático que encontrei – dizem as más línguas que isso é raro.

Ontem fui a Belém, comer uns pastéis típicos da região. Dá uns 30 minutos de ônibus. Acordei às 10h, dei um jeito no quarto (mala feita é desestimulante para começar o dia) e me mandei de autocarro. Tem de pegar um na parada de Saldanha. É o número 727 e custa 1,40 euros. Desci bem na frente de um movimentado restaurante, entrei e pedi dois pastéis: 1 euro cada. Comi no balcão mesmo. O passeio só começava.

Visitei o Mosteiro dos Jerónimos em seguida. Não esperava nada e me deparei com o túmulo do Fernando Pessoa. Arrepiei dos pés à cabeça e meus olhos encheram de lágrimas. Foi indescritível, como se estivesse cara a cara com o poeta. Nunca terei experiência igual.

O decorrer do dia foi excelente. A não ser por minha máquina fotográfica, que fez o favor de descarregar a bateria. Vi uma exposição de arqueologia, visitei a Torre de Belém e o Museu das Coches (carruagens antiguíssimas), presenciei um casamento pomposo numa catedral magnânima, pisei o gramado do Estádio do Restelo – domínio do Belenenses –, me sentei diante do Tejo e peguei, de fato, minha primeira bicha em Portugal (para quem ainda não sabe, é fila).

Outras tantas curiosidades eu exponho com o tempo. E são muitas!

Hoje conheci a faculdade e descobri os horários das aulas. Também aproveitei e comprei um telemóvel pré-pago (a 20 euros, com 5 euros de bônus em ligações). O idioma tem sido fácil de lidar. Quero ver no dia-a-dia acadêmico. Aliás, a comida da universidade é ótima. Almocei bacalhau e salada. Caprichei no azeite.

Em breve devo adquirir um computador portátil. Por enquanto minhas preocupações são com emprego, abertura de uma conta bancária e fazer meu cartão passe-livre do metro (sim, sem acento mesmo, pois vem de metropolitano). Como diria uma das frases que li em algum museu que estive: "Nada educa mais como viajar".

5 comentários:

Sandra disse...

É muito tranquilizante saber que estás bem.
Me emocionei com o relato da sua emoção diante da tumba de Pessoa, sei o quanto isto significa pra você.

Beijos,
Sandra.

Júlia disse...

:)
Gostei de saber que deu tudo certo!
E adorei o passeio e as novidades.
Tomara que continue tudo correndo bem.
beijão!

dani z disse...

queria ter visto a sua reação, a sua carinha. coração bateu forte, hein? vc merece. bj

Raquel disse...

Oiê!
Até eu me arrepiei com seu relato do encontro com Pessoa. Quem diria que emoções tão fortes iam ser vividas tão cedo, hein?
Que venham mais surpresas!
Beijo

sandoval disse...

Ah, saudades! seu relato me fez reviver Lisboa. Aproveite para fazer uma visita, no final da tarde ou à noite, na parte alta de Lisboa, para curtir uns fados. Lá tem uns barzinhos que são verdadeiros convites à boemia, à divagação...

Curta Lisboa. Vale a pena. Aproveite bastante.

Beijos, fifico.