domingo, 26 de outubro de 2008

Solitária solidão

Estar numa cidade diferente é começar uma vida. Lógico que a antiga a gente não apaga – nem quer. Rubem Braga escreveu num texto que já publiquei aqui: “Em minhas andanças, eu quase nunca soube se estava fugindo de alguma coisa ou caçando outra”.

Também pouco sei porque decidi renunciar ao conforto de Brasília ou às conquistas de Floripa por esta aventura em Portugal. Caso ainda não saibam, o mestrado é pretexto. A idéia de ter um título acadêmico nunca me conduziu a viajar para a cidade ao lado, quanto mais estar milhares de quilômetros longe. Somente após ter decidido pelo curso é que cogitei dar aula, por exemplo.

Mas isso é outra coisa. O mestrado de verdade está além da sala, além dos muros pichados da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Meu quadro-negro é o convívio, meus livros são os dias e o meu aprendizado almeja superar o saber intelectual: é cultural, conceitual, emocional, espiritual, surreal...

Além desse hobby por experiência e vivência, sempre me fascinou a solidão. A noção de estar sozinho no mundo, dependendo de si, fazendo seus horários, tendo seus trajetos, buscando seus caminhos, é o que tem de mais próximo à liberdade.

Calma lá, não tenho fobia de ser humano. Nunca irei desprezar uma boa companhia para partilhar momentos – ainda mais os novos. Estar diante do diferente e ter condição de dividir com alguém que se gosta é muito melhor, com certeza. Porém, no caso de não ter, meu mundo continua a girar e num ritmo confortável e natural.

Foi Nietzsche quem escreveu para ficar forte, primeiro tem de criar raízes profundas dentro do nada, aprender a encarar sua mais solitária solidão, e não me sobra mais que concordar. Em silêncio.

4 comentários:

Bembi disse...

1. Eu entro aqui louca pra debochar e me deparo com estes textos difíceis. Aí eu paro de ler, pq minha cabeça dói. Tenho meio neurônio, esqueceu?

2. Essa tua foto do perfil está péssima. Jesus, troca!

sandoval disse...

Ninguém precisa estar necessariamente sozinho para se sentir na solidão. Muitas vezes, para quem raciocina de forma egoísta - o que não é o seu caso -,a solidão pode se dar inclusive a dois.

Sob outro aspecto, há uma grande diferença entre solidão e isolamento consciente, visando o próprio crescimento humano e intelectual.

Como escreveu Fernando Pessoa,"A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo."

Um grande BEIJO!

Luciana disse...

Lindo o texto.
Como estão as coisas na terra de Cabral?
Abraços.

Luciana disse...

Lindo o texto.
Como estão as coisas na terra de Cabral?
Abraços.