sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Sobre a adaptação e a vida acadêmica

Dizem que não somos ninguém por estas terras e assim passamos a valorizar mais as nossas raízes. Verdade que me sinto um estranho muitas vezes, mas isso não me incomoda. É bom ser diferente e sentir-se quase como um observador da rotina alheia.


As novidades que se constroem para mim, dia após dia, são a força para se integrar à cultura deles a meu modo. Não quero ser parte do todo, nem ao menos representar minorias. Gosto e quero ser apenas eu – sem estereótipos, rótulos ou convenções. Assim que nos façamos: seres humanos, e nada mais.


***


Estava temeroso quanto às aulas. Me formei há três anos e, apesar de não ser muito tempo, é o tipo de situação que nos sentimos enferrujados. O fato de reiniciar tudo num país estranho e num continente com tradições científica e acadêmica também trouxe um "friozinho" extra.


Contudo, as coisas são bem parecidas com o Brasil. Universidade pública não muda de um lugar para outro. Aqui existem os mesmo problemas estruturais e administrativos. O espaço da Faculdade Ciências Sociais e Humanas (FCSH) é ótimo. O campus tem quatro prédios, duas lanchonetes, um refeitório, biblioteca e livraria.


Pensei estar livre das fotocópias. Descobri que o procedimento é universal: professor deixa o texto lá e os alunos fazem fila para tirar xerox. Custa cerca de 5 centavos (ou cêntimos) a folha. A má notícia – para mim – é que grande parte do material é em inglês.


Esquisito voltar ao convívio intelectual. Admito que tenho um pouco de preguiça desses discursos engajados e essas problemáticas subjetivas/teóricas. Nos últimos tempos, estive mais próximo da sensibilidade que da racionalidade.


Ontem mesmo, enquanto a professora Graça Simões divagava sobre ciberespaço, mídia e interação, minha atenção se dedicava ao belo céu alaranjado onde o sol vagarosamente se deitava. Sou mais a poesia à academia.

3 comentários:

Késia Maximiano disse...

e de onde vc é?

sandoval disse...

Guga, você diz que "É bom ser diferente e sentir-se quase como um observador da rotina alheia." É óbvio que observar é adquirir experiência, é vivenciar o que se passa ao nosso redor, é complementar o nosso conhecimento, o nosso enriquecimento individual. Observe tudo e tire as suas conclusões, pois o conhecimento não está só na leitura dos livros, está, também, em fazer leituras intelectuis e críticas e observar os acontecimentos sociais, culturais e políticos do cotidiano.

Te amo, fifico.

Gustavo Jaime disse...

Olá, Késia! Sou de Brasília, sendo que vivi um tempo em Floripa.

Pois é pai, estou tentando observar e aprender/apreender o máximo que posso. Esse exercício, ainda mais no nosso tempo, está superbatido e fora de moda. Beijos!