terça-feira, 21 de outubro de 2008

Que coisa banal é a vida

Que coisa banal é a vida
A criança brinca com os pombos
O casal de velhinhos descansa no banco
Lá longe, a mulher bonita atravessa a rua
Enquanto o garoto ziguezagueia de bicicleta

De terno e gravata, o executivo é mais rápido que a perna
Outro homem, sem pressa, caminha no infinito
As senhoras gordas fofocam e riem alto
Enquanto o cão distraído cheira a grama bem verde
Que coisa banal é a vida

A estátua cansada observa a rotina
Rugem sirenes, máquinas, o vento
Voam lembranças, pessoas, o medo
Enquanto a mosca insistentemente pede atenção
Mas que banalidade...

Um comentário:

Sandoval disse...

Fernando Pessoa, o maior poeta do século XX, escreveu em um dos seus poemas que "O coração, se pudesse pensar, pararia." Ainda bem que não pensa, só sente, pois as coisas banais fazem parte do nosso cotidiano e alimenta nossos sentimentos. A vida sem as banalidades existentes seria muita enfadonha, sem aventura e sem história. Sãos as banalidades que alimentam nosso ego e nos faz enxergar, com olhar crítico, o reverso da moeda.

Parabéns pelo poema. Gostei...

PS: Fernando Pessoa, que me desculpe os críticos, com exceção da obra que deixou, sempre teve uma vida banal, sem aventura e sem história.