segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A uma portuguesa indignada

Eu estava num bar do Bairro Alto. Num dos tantos, quero dizer. Tasca do Chico. Sim, uma alcunha bem brasileira no coração pulsante da noite lisboeta. Acho que era um CD da Daniella Mercury que tocava, e eu tomava meu segundo chope – ou melhor, minha segunda imperial.

Quando ela chegou.

Já sabia que o assunto da mesa seria as linhas escritas aqui, e desde a saída de casa eu alimentava frases feitas para me defender. Me defender... oras, nem devia pressupor uma defesa! As idéias eram o meu ponto de vista, a minha impressão. No mínimo tenho de experimentar a liberdade poética – e conceital – na minha função de observador.

Mas queria me explicar. Por uma força nata e incorrigível, esse era o meu intuito. O meu instinto. Sou assim: sempre, e sempre, e sempre a querer me explicar. Foi quando ela chegou, com um sorriso que denunciou estar à espera de minhas esquivas, meus “deixa-disso”, meus “veja-bem”.

Levantei e a abracei de supetão. Retribuí o olhar contente e pedimos mais uma imperial. A revolta instantânea havia sido dissolvida naquele ínterim entre a leitura e o encontro. Ela ainda tentou argumentar algo, eu ainda tentei mostrar o que acreditava... porém tudo estava esclarecido.

Essa coisa de nacionalidade é tão demodè, pensei. A autora dos comentários “bufantes” – uma portuguesa, para quem não captou as entrelinhas – estava frente a frente comigo e decidimos superar a divergência de opinião. Eu a respeitei e aprendi. Ela me entendeu e respeitou. No resto da noite, conversamos sobre diferenças e semelhanças de Brasil e Portugal.

E assim foi...

***

O frio começa a dar as caras na banda de cá do hemisfério. No sábado, o clima pirou. Amanheceu com céu limpo, sol amigável e brisa fresca. À tarde, desabou uma chuva de granizo nunca dantes vista pelos brasileiros que aqui residem há um ano. Impressionante.

Situação acalmada, algumas áreas alagadas, casas avariadas, uma ou outra linha de metrô interrompida, foi a vez de a temperatura despencar. Os termômetros marcaram 15 graus. Talvez menos. Deu para sentir como será o inverno. Muito mais rigoroso que o anterior – é o que profetizam os homens e mulheres do tempo.

Continuo a apostar no meu estágio em Floripa para não congelar.

Um comentário:

Juliana disse...

acompanhei a discussão no início ao fim!! confesso q me diverti...