terça-feira, 28 de outubro de 2008

Lanterninha de cinema?

Respondo a uma estimada amiga do mundo virtual que me perguntou, cá entre os comentários, como andam as coisas em Portugal. De fato, há algumas publicações que tenho deixado de lado os juízos exteriores para me debruçar sobre o meu interior – ou meus interiores, uma vez que são muitos e distintos.

De modo algum isso é ruim ou foge ao conceito deste espaço. O blogue, saibam todos, não tem conceito. Tenho vontade de escrever – quase como um instinto fisiológico –, e isso basta. Se me tirassem a escrita, preferia morrer. “A boa obra de arte nasce da necessidade” (Rainer Maria Rilke).

Veja, cara amiga, não digo que o que escrevo é a boa obra de arte. Apenas que ela brota, sim, da necessidade – e, por isso, se não pode ou deve ser alçada como boa, ao menos que seja vista como honesta e pura.

Ao mesmo tempo, expor meus devaneios mais profundos é falar de Lisboa. De como a cidade proporciona esse passeio dentro de si, quer nas suas ruas e praças antigas, quer em seus cafés e bares agradáveis. O vento gelado que bate no rosto é companhia ideal da solidão serena. O desassossego mundano é menos desassossego e menos mundano diante do belo poente contemplado por um mirante “natural”.

Esta semana estou pra cima e pra baixo à procura de emprego. Na verdade, desde que cheguei replico anúncios e distribuo currículo. A crise mundial me pegou pelo pescoço e, com o euro a quase R$ 3, os planos de sobreviver tantos meses com o dinheiro que guardei teve de ser revisto.

Não há sinal de alerta, tudo caminha com calma e segurança, mas preciso trabalhar. Preenchi cadastros de empresas que promovem “extras”: vão desde garçons para hotéis e restaurantes a demonstradores de perfumaria e de hipermercados. É uma grana boa que entra.

A melhor chance pintou em um cinema próximo à faculdade. A vaga é de lanterninha. Que tal? Investi todas as fichas, mas nada de resposta ainda. Os horários encaixam com o das aulas e o salário é bacana. Sem contar que poderei assistir aos filmes – até que depois de um mês vou saber todas as falas e enjoar dos enredos repetidos.

Mas qual roteiro é sempre original?

4 comentários:

Anônimo disse...

Eu quero ser tua lanterninha assistente (ou sublanterninha), pode?
Carol Zili

Luciana Lopes disse...

Sabe Gustavo:
uma das coisas que mais admiro em você, apesar de não conhece-lo pessoalmente é essa sua coragem de mudar. Não deve ter sido facil largar a sua cidade, os seus amigos e ir em busca de um outro sonho, de ir além para ser alguém melhor.
Parece que o domineo da solidão faz parte de você, da sua essência, do seu modo de encarar a vida. Solidão essa que me apavora. Nasci para estar rodeada de pessoas, de familiares, de militantes.........Enfim. Nasci para ter alguém para poder bater um papo, fofocar, xingar meio mundo. No fundo, sou feliz assim.
No final do ano darei uma de mochileira. É, voou fazer as malas e sair meio sem rumo pelo interior de Minas. Tenho medo, receio, dor, enfim...Não sei o que esperar de mim e das pessoas que encontrarei no meio do caminho mas necessito fazer isso, como uma forma de descoberta, de aprendizado, de sei lá o que. No fim, sei que sera valido e voltarei para o meu mundo mais crescida, mais forte e com mais disposição para enfim, consegui me formar na universidade e buscar outros caminhos pré traçados mas que podem ser mudados.
Abraços.

Gustavo Jaime disse...

Luciana, não trate estas palavras como verdade absoluta. As leia com teu coração e veja se alguma coisa a acrescenta - ou simplesmente toca.

"Só a solidão é necessária, uma grande solidão interior. Entrar dentro de si e não estar com ninguém horas a fio - tem de ser capaz disso. Estar só, como em crianças estávamos sós, quando os adultos circundavam por aqui e por ali, enredados em coisas que pareciam grandes e importantes porque os adultos pareciam tão ocupados e porque nada sabíamos dos seus afazeres."

"Sabemos pouco, mas que temos de nos ater à dificuldade é uma certeza que nunca nos abandonará; é bom ser solitário, porque a solidão é difícil; que uma coisa seja difícil deverá ser mais uma razão para a fazer. Também amar é bom: porque o amor é difícil."

Anônimo disse...

meu deus, eu entendi tudo tão errado...