sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Daqui cinco anos

Esta é boa. Em uma das três entrevistas de emprego que fui ontem (arrisquei ser carteiro, florista e atendente de cafeteria), a proprietária do local questionou onde eu me imaginava daqui a cinco anos. Sorri de imediato e elogiei a pergunta – enquanto ela marcava um ponto de interrogação azul no seu papel de anotações.

Oras, se nunca pensei em morar em Lisboa, se metade das coisas que aconteceram nos últimos cinco anos nem mesmo foi sonhada, como tentar antecipar a próxima meia década? Tive de ser sincero, em vez de responder as palavras bonitas que ela certamente gostaria de escutar.

– Veja, sempre fui muito organizado e tentava planejar minha vida com perfeccionismo e exatidão. Mas se alguma coisa saía dos trilhos e não dava certo eu me perdia. Foi por conta disso então, e da minha ansiedade, que me disciplinei a pensar, no máximo, em daqui a três dias – contei.

Ela pareceu entender, mas o ponto de interrogação continuou desenhado. Sabe-se lá o que se passa na cabeça de alguém que julga importante esse tipo de questão numa entrevista de emprego. Tudo bem, como ela é a dona da cafeteria pode perguntar até a cor da minha cueca se achar relevante. Não me importa.

Mas responderia que estava sem (só para ver a expressão dela).

8 comentários:

Luciana Lopes disse...

Muito boa a sua resposta. Engraçado porque a cinco anos eu ainda jurava wque seria uma grande jornalista e hoje me perco entre milhares de tubos de ensaio.
Alguém pode me explicar essa mudança?
Boa sexta Guatavo.

Júlia disse...

Essa é boa mesmo!
Como diria meu pai, eu não sei nem se vou estar vivo amanhã, imagina daqui a cinco anos... hehehe Ele teria respondido isso, aposto.
beijão

Sandoval disse...

Eu teria duas opções de resposta, dependendo da "proprietária".

Se bonita, a resposta seria: com certeza, ao seu lado.

Se feia, a resposta seria: com certeza, pelos becos da vida lamentando ter aceito o emprego.

Daqui a cinco anos... parece até pergunta de português!

Beijos.

LAG disse...

cara, fiquei encucado e fascinado pela pergunta. er... fascinado é um termo pesado demais, mas no mínimo interessante. e sua resposta foi melhor ainda.

só não sei até que ponto a sinceridade pesa aí.

na verdade, não sei nem aqui, porque nunca me fizeram pergunta semelhante por aqui.

[de qualquer jeito, vou passar a ler com frequência (já sem trema, né?! pra ir acostumando, hehe) seu diário de bordo aqui, guss...]

abração!

ps: se conseguir outro emprego que não o de lanterninha, pode saber que vou aparecer por aí pra ficar com ele, hehe

Gustavo Jaime disse...

Hahahaha. Só tu mesmo, pai! Ela não era bonita, então não dava para eu dizer isso. Agora, eu bem que poderia ter respondido a segunda opção, seria interessante ver a cara dela.

Leandro, quanto ao emprego de lanterninha, já foi preenchido. E, infelizmente, não por mim... Seja "bem-vindo" em mais um dos meus blogs, hahaha. Tu é um dos leitores mais antigos, desde o tempo do CEC! Que beleza.

Abraços a todos!!!

Drica disse...

Esse pessoal que acha que entende de perguntas pra entrevista, dando uma de pseudo-psicóloga, vou te contar, afffffff!!
Acho que nem ela sabe onde estará daqui a cinco anos... imagino que desejaria estar com o mesmo emprego que contratou por essa pergunta...

Bembi disse...

Os comentários do Sr. Sandô seguem como os melhores.

Saudades

Bembi disse...

PS: Daqui cinco estarás estarás no Brasil, em FLoripa, mais especificamente.
E isso não é uma sugestão, é uma ordem.
Adeus