quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Tempus fugit (2)

Minha agonia pela vida sempre foi grande. Começou por volta dos 15 anos. Passei a questionar padrões – coisa de adolescente, ao que parecia. Mais tarde, surgiram os primeiros sinais dos dilemas existenciais. Coisa comum na trajetória de um ser pensante. De quem não faz apenas turismo pela Terra.

Logo logo, estava questionando o nascer e morrer, o sentido de estarmos aqui e o tempo. Sim, o escasso tempo que dispomos para usufruir esta única encarnação. É assim que penso, mesmo que não queira mais pensar assim. A idéia já se apossou do idealizador.

Dia desses atrás, ela me falou que tenho muita urgência para tudo. Às vezes, urgência impensada, equivocada, imatura. Com o passar da idade, talvez tudo se equilibre. E, de fato, esta temporada na Europa me fará muito bem. Lentamente, venho tentando ser menos tenso, menos pesado, ansioso e impaciente. Para quem cresceu envolto nessa personalidade, a mudança não se dará de uma hora para outra.

No entanto, a sensação que tenho é que o "tempo foge" e meu refúgio, hoje, é a ousadia. Preciso pular de pára-quedas – enquanto posso, enquanto quero, enquanto dá. "Há tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo das travessias. E se não ousamos fazê-las teremos ficado pra sempre a beira de nós mesmos." (Fernando Pessoa)

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